“45 anos”: entre os ecos do silêncio

Recentemente, tive meu primeiro contato com a obra cinematográfica do cineasta britânico, Andrew Haigh, através do longa-metragem “45 anos”, filme que aborda sobre a passagem do tempo e as escolhas que fazemos na vida, e confesso que me impressionou.  

Prestes a completar 45 anos de casamento, Geof Mercer, interpretado pelo ator veterano Tom Courtnay, marido de Kate, vivida pela atriz Charlotte Rampling, recebe uma notícia inesperada: o corpo de sua ex-namorada, após anos, havia sido encontrado nos Alpes Suíços, preservado no gelo, que culmina a trama do filme.

De mãos dadas com o presente, o passado de Geof passa assombrar a vida de ambos, cada qual a sua maneira. Abalada com os segredos revelados, ora pelo próprio marido ora descobrindo sozinha, Kate vê sua relação de anos desestruturar-se diante de seus olhos.

Através de uma narrativa lenta e rotineira, necessária para a história, é possível sentir o impacto que essa carta causou aos personagens. E com maestria, o cineasta conduz sua orquestra, em que os atores, de forma magistral, conseguem deixar mais visceral as transformações em que o casal vai sofrendo ao longo do filme.

“45 anos” apresenta um ponto interessante, além de fazer referência ao filme “Cenas de um Casamento”, dirigido por um dos maiores cineasta, o sueco Ingmar Bergman, em que sou fã e grande admiradora, Haigh traz para a personagem Kate, em especial, alguns elementos do perfil de mulher do cinema bergmaniana.

O cineasta opta por planos fixos e movimentos de câmeras sutis. Os tons suaves da fotografia, bem como no cenário e figurinos, potencializa o ar bucólico presente no filme, além de refletir o estado de espírito das personagens. Uma história universal que consegue envolver o espectador tocando-o de forma intensa e profunda. 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.

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