“A 13ª Emenda” escancara séculos de opressão da população negra nos EUA

A cineasta norte-americana Ava DuVernay,  que dirigiu o longa-metragem “Selma – Uma Luta por Igualdade”, uma cinebiografia que narra sobre a marcha liderada por Martin Luther King entre as cidades de Selma e Montgomery, no Alabama nos anos 60, nos Estados Unidos, vencedor de  Melhor Canção Original no Oscar 2015 com a poderosa canção “Glory” (veja o videoclipe aqui) realmente nos impacta com sua nova produção.

O discurso que vemos em “Selma” é potencializado no documentário “A 13ª Emenda” que, inclusive, o título faz referência a uma brecha na constituição norte-americana que prevê a proibição da escravidão e servidão involuntária, “exceto como castigo por um crime”, a qual vem sendo explorada até atualidade. A escravidão ainda permanece, mas agora com outro nome.

“A 13ª Emenda” é soco no estômago. É um filme forte, provocador coloca em pauta questões urgentes e necessárias de forma escancarada a respeito da correlação entre a escravidão dos negros nos Estados Unidos, sistema de criminalização e prisão em massa de negros.

Cena do documentário “A 13ª Emenda”

Construído a partir de entrevistas com estudiosos, ativistas, políticos e trechos de letras de músicas, como de Nina Simone, Public Enemy, ainda mescla dados estatísticos desoladores e imagens de arquivos, recortes de jornais, gravações e programas de TV que chegam causar repugnância e enjôo pela tamanha barbárie, violência e ódio disseminado contra outros seres humanos que potencializam a narrativa fílmica. É nítido o trabalho minucioso de pesquisa realizado no documentário ao percorrer por séculos de opressão da população negra nos EUA.

O filme mostra a fundo os estágios da construção histórica do preconceito contra os negros e as consequências geradas que levam, até os dias atuais, serem subjugados, violentados e criminalizados. Ainda destaca a mídia de massa como um dos instrumentos de agravamento do racismo no país. 

Ava DuVernay também traça um paralelo com o conteúdo do polêmico “O Nascimento de uma Nação” (1905), do cineasta D. W Griffith, baseado nos livros “The Clansman: An Historical Romance of the Ku Klun Klan” e “The Leopard’s Spots” e na peça teatral “The Clansman”, de Thomas Dixon.

Cena do filme “O Nascimento de uma Nação” (1905)

O documentário, que abriu o New York Film Festival 2016 e indicado como Melhor Documentário no Oscar 2017, está disponível na Netflix. “A 13ª Emenda” nos leva a reflexão sobre o racismo e a xenofobia presente não só nos Estados Unidos, mas em outros lugares, como no Brasil. É um filme que precisa ser visto, revisto e debatido.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.