A 25ª edição do Festival É Tudo Verdade ganha novo formato

Excepcionalmente este ano, a 25ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários será realizado em um novo formato, dividido em dois momentos: digital e presencial, por conta da pandemia do codiv-19. A iniciativa é inédita, e vem como forma de ajudar na contenção do vírus e preservar a vida, seguindo as medidas de prevenção estabelecidas, e, ao mesmo tempo, celebrar a sétima arte.

É Tudo Verdade inicia-se hoje, dia 26/03, e segue até 5 de abril, com alguns ciclos estendendo-se até o dia 23 de junho. A mostra  online, em parceria com o Itaú Cultural, Spcine Play e o Canal Brasil Play, que conta com cerca de 50 horas, num total de sete programas especiais, contemplando 30 títulos nacionais e internacionais, obras documentais inéditas e clássicas de longas-metragens, curtas e séries.

A série documental "L'Héritage de la Chouette" (A Herança da Coruja, 1989), do maravilhoso mestre francês Chris Marker (1921-2012), inédita, em versão restaurada, está na programação do festival pelo site do Itaú Cultural. Com treze episódios, discute sobre o legado cultural e político da Grécia clássica ao mundo contemporâneo partindo de treze palavras incorporadas ao vocabulário moderno, que, para o crítico de cinema e diretor-fundador do Festival, é um projeto atípico e excepcional do cineasta, é "sua mais importante obra do gênero para TV". "E vista hoje, lança luz sobre os desafios essenciais da hora: a defesa da democracia, o combate à misoginia, os perigos da amnésia”.

Cena do documentário "Quando as Luzes se Apagam" (2018), do cineasta Renato Brandão

Na parceria, ainda tem o ciclo "A Situação Cinema", que apresenta cinco títulos brasileiros dedicados à fruição cinematografica:  "Cinemagia: A História das Videolocadoras de São Paulo" (2016), de Alan Oliveira; "Cine Mambembe: O Cinema Descobre o Brasil" (1998), de Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi; "Cine São Paulo" (2017), de Ricardo Martensen e Felipe Tomazelli; "O Homem da Cabine" (2007), de Cristiano Burlan; e "Quando as Luzes das Marquises se Apagam" (2018), de Renato Brandão.

E no ciclo "Os Primeiros Premiados", estão o curta-metragem "A Pessoa É para o que Nasce" (1998), de Roberto Berliner; e os longas-metragens "Nós Que Aqui Estamos, Por Vós Esperamos" (1998), de Marcelo Masagão, "A Negação do Brasil" (2000), de Joel Zito Araújo; e o filme-ensaio "Rocha que Voa" (2002), do diretor Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), dos mais importantes nomes do cinema brasileiro.

Cena do documentário "La Deuxième Rencontre", de Veronique Ballot.

Na Spcine Play, o festival digital exibe o ciclo “As Diretoras no É Tudo Verdade”, com dez produções documentais dirigidas por mulheres que marcaram a história do "É Tudo Verdade", incluindo o inédito “La Deuxième Rencontre" (O Segundo Encontro), de  Veronique Ballot. São elas: "Aboio" (2005), de Marília Rocha; "O Aborto dos Outros" (2008), de Carla Gallo; "Carmen Miranda – Bananas Is My Business" (1994), de Helena Solberg; "Domingos" (2009), de Maria Ribeiro; "Dona Helena" (2006), Dainara Toffoli; e  "Os Melhores Anos de Nossas Vidas" (2003), de Andrea Pasquini. 2003; "Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas" (2017), de Sandra Werneck; "Nasceu o Bebê Diabo em São Paulo" (2002), de  Renata Druck; "Um Passaporte Húngaro" (2001), de Sandra Kogout.

Já no “Ano 1 – A Safra Brasileira no É Tudo Verdade 1996”, que reflete o momento de ignição das transformações que marcaram desde então a produção audiovisual não-ficcional no país”, segundo Labaki, contempla os documentários: "Carmen Miranda – Bananas is my Business" (1994), da diretora Helena Solberg; "No Rio das Amazonas" (1995), de Ricardo Dias; o filme-ensaio  "Yndio do Brasil" (1995), do diretor Sylvio Back; " Un Poquito de Água" (1996), de Camilo Tavares e Francisco “Zapata” Betancourt; "Vala Comum" (1994), de João Gordo; "Maracatu, Maracatus" (1995), de Macelo Gomes;  o média-metragem "São Paulo – Sinfonia e Cacofonia" (1994), dirigido pelo cineasta, teórico e crítico de cinema Jean-Claude Bernadet. E ainda celebra a memória do cineasta José Mojica Marins (1936-2020) com dois documentários sobre o criador do Zé do Caixão.

Série "Cineastas do Real" com a entrevistada, a diretora Lucia Murat

Em parceria com o Canal Brasil, serão disponibilizadas pelo Canal Brasil Play as duas temporadas da excelente série “Cineastas do Real”, realizadas por Amir Labaki, diretor-fundador do É Tudo Verdade, um deleite, principalmente aos cinéfilos. O espectador irá conferir 26 entrevistas com alguns dos principais documentaristas brasileiros, uma imersão em suas principais produções fílmicas. Outro ponto da programação que é imperdível.

O festival presencial no circuito de salas de cinema e de instituições culturais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, ocorrerá entre os dias 24 de setembro a 4 de outubro, com as projeções dos títulos inéditos das mostras competitivas e dos programas especiais, assim como debates e palestras.

Boas sessões, e, em breve, você confere algumas críticas de filmes do É Tudo Verdade 2020, aqui, no NTRLH.


 
 
 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.

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