“A Chegada” nos mostra que ainda precisamos aprender mais sobre nós do que sobre eles

A ótima Amy Adams é Louise Banks, especialista em línguas chamada pelos militares americanos para se comunicar com os alienígenas, o que também acontece em outras partes do planeta.

Me chamou a atenção uma frase da Louise explicando que ser especialista em comunicação não a impedia de ser solteira. Me pareceu uma daquelas pistas que aparecem em filmes de detetives, a partir da qual ele desvenda todo o mistério, como o uso do vermelho em alguns filmes do diretor M. Night Shyamalan, que indica a iminência de algo importante.

Mas aí chegam os militares, sendo militares, impondo prazos, apontado armas e explodindo coisas, e a gente se esquece do detalhe da fala, para lembrar só no final, quando saem de cena os coadjuvantes alienígenas e, então, revelam-se os segredos. Parece até coisa de livro de autoajuda bem barato dizer que não devemos viver no passado, que a sobrevivência da humanidade depende da comunicação e tolerância, mas é bem isso, porém dito de maneira esplêndida.

Apesar das comparações com outros filmes sobre extraterrestres, esse filme não tem como foco os alienígenas, mesmo que eles estejam ali, tenham tentáculos e sejam seres mais avançados, como em outros filmes. Quem procura um filme no estilo de "Aliens", "Independence Day" e até mesmo "Interestelar", não encontrará o entretenimento correto em "A Chegada". Poucos efeitos especiais, pouca ciência e tecnologia, poucos seres cheios de muco e pouca violência. 

É um excelente drama de ficção científica como pano de fundo, com ótimo roteiro, direção e atuações.

Lívio Sakai

Sou como um carro não muito velho, mas com 500.000 km marcados no odômetro.

Posted Under
Sem categoria