A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

 

Premiado como Melhor Filme no Oscar 2015, “Birdman”, dirigido pelo audacioso mexicano Alejandro González Iñarritu, é uma obra cinematográfica que vai além do que o espectador vê. Há muitas coisas não ditas explicitamente. 

O longa-metragem diz respeito a um ator que fez muito sucesso no passado ao interpretar o super-herói Birdman, que também titula a obra em questão. Certo momento, o personagem-ator desiste de realizar outros filmes da franquia.

Com o intuito de alavancar a carreira, recuperar o prestígio perdido e, principalmente, desvincular do personagem que o levou ao estrelato, o personagem-ator Riggin Thompson, interpretado por Michael Keaton, decide levar para o palco da Broadway a sua adaptação do conto “Do que estamos falando quando não falamos de amor” (1981), do escrito Raymond Carvar. 

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Ao olhar nas entrelinhas, vemos que o mesmo ator principal de Birdman, Michael Keaton, também deu vida ao personagem Batman, em 1989, dirigido por Tim Burton. Tanto o personagem-ator de Birdman, interpretado por Michael Keaton, quanto o próprio ator como o Batman, ambos ficaram estigmatizado pelos seus personagens.

Coincidência? Com certeza não. Gonzáles Iñarritu parte desse ponto para satirizar o universo dos shows bussiness, as celebridades e a crítica  através da metalinguagem e com boas doses de humor negro. 

No filme, o Steadicam simula um personagem na cena. O espectador vê apenas o seu ponto de vista em longo plano sequência contínuo, numa imersão total. O cineasta deixa a montagem quase que imperceptível aos olhos. Assim, o espectador tem sensação de que as cenas foram filmadas como uma sequência única e linear.  

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Para chegar nesse resultado que vemos no filme, era preciso acerta a iluminação, pois haviam cenas filmadas em horários e dias diferentes. A solução encontrada foi utilizar também objetos, como, por exemplo, abajures, luzes e letreiros, em pontos estratégicos, que ajudassem a manter a sensação de luz natural nas cenas, possibilitando o ator e câmera circular livremente pelos cenários. 

Entre o cenário claustrofóbico e os corredores do famoso teatro St. James, situado na Broadway, que sempre levam ao mesmo lugar, o palco, traz consigo a simbologia do labirinto. A trilha sonora, que permeia todo o filme, dá ritmo a narrativa e pontua os conflitos do próprio personagem-ator Riggin Thompson. 

A direção de fotografia é assinada por Emmanuel Lubezki, premiado no Oscar em 2014 por “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, e no Oscar 2015 tem seu trabalho reconhecido novamente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. 

“Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância)” é um filme que vale a pena conferir. Considero um dos melhores trabalhos do cineasta mexicano. 

 

 

 

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.

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