Adios, Gárcia Márquez

"A vida não é o que se viveu, mas sim o que se lembra, e como se lembra de contar isso."

 Gabriel García Márquez

 

Na quinta-feira passada, 17, o mundo perdeu um grande nome da literatura. Ganhador do Prêmio Nobel  de Literatura de 1982, o escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez, aos 87 anos, deixa um enorme legado aos leitores, fãs e admiradores, agora órfãos de sua grandiosa e genial literatura.

Precursor da corrente literária denominada de realismo fantástico ou realismo mágico, que surgiu no século XX na literatura latino-americana, García Márquez também a disseminou pelo mundo afora.

Ao longo de sua vida, escreveu várias obras como, “Relato de um Naufrágio”, “Cem Anos de Solidão”, “Entre Amigos”, “Crônica de uma Morte Anunciada”, “O Amor nos Tempos de Cólera”, “As Memórias das minhas Putas Tristes”, sempre inspiradas no cotidiano e no universo a sua volta.

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Apaixonado pelo cinema, García Márquez se descrevia como “cineasta frustrado”.  Na década de 50, o escritor chegou até a estudar roteiro em Roma, na Itália.  Gabo, como era chamado pelos amigos, sabia que o cinema exercia grande poder de sedução e hipnótico sobre os espectadores.

Visto como entretenimento, meio de informação e de comunicação de massa, o cinema consegue transmitir sua mensagem sem exigir tanto esforço do indivíduo como um livro, por exemplo, que necessita ter o domínio dos códigos da língua para conseguir ler, entender e interpretar o conteúdo.

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É notória a influência da literatura sobre o cinema. Inúmeras obras literárias já foram adaptadas, como é o caso da livros de Gabo. Porém,  ele permitiu  que apenas algumas fossem adaptadas, tais como, “Ninguém Escreve ao Coronel” (1999), do diretor mexicano Arturo Ripstein; “O Amor nos Tempos de Cólera” (2007), com a direção do cineasta britânico Mike Newell, que contou com Javier Bardem, Fernanda Montenegro e a Giovanna Mezzogiorno.  E o filme “Memórias das Minhas Putas Tristes” (2011), do dinamarquês Henning Carlsen.

No Brasil, elas ganham vida nas mãos do cineasta Ruy Guerra, um grande amigo do escritor e autor dos clássicos do cinema brasileiro “Os Cafajestes” e “Os Fuzis”. Guerra leva para o cinema os filmes “Erêndira” (1983), baseado no livro “A Verdadeira História de Cândida Erêndira”; “A Bela Palomera” (1988) e “O Veneno da Madrugada” (2006), baseado no livro “La Mala Hora”, obra não tão conhecida pelo público.

Como uma arte sinérgica, o cinema se apropria de outras artes e alcança um dos escopos do processo da intersemiose:  as novas leituras e sentidos ao texto original empregando outros recursos além da palavra escrita.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.