Boyhood: a vida como ela é

 

O cineasta americano Richard Linklater possui uma forma muito particular de fazer filmes, que me chama muito atenção. Sua sensibilidade e olhar apurado ao traduzir o cotidiano, fazem com que suas histórias toquem o espectador pela sua simplicidade.

Dentre sua filmografia, até o momento, a trilogia “Antes do Amanhecer”, para mim, era a melhor obra. Agora tem mais um na lista. Boyhood é um presente para o cinema.

“Boyhood” é um projeto fílmico único, belo e de uma sensibilidade incrível, que acompanha o crescimento de Mason (Ellar Coltrane), dos 6 aos 18 anos, e suas transformações em relação a família e forma como vê o mundo que o cerca.

boyhood2

O projeto demorou 12 anos para ser finalizado e contou com a participação dos atores Ethan Hawke, Patrícia Arquete, Ellar Coltrane, Zoe Graham e Lorelei Linklater. Loucura? Diria audacioso, arriscado, além de tudo, genial. Embora os desafios, e bem sabemos que muita coisa pode acontecer nesse processo, o resultado é um filme marcante. 

Se você já assistiu aos filmes do cineasta François Truffaut, um dos maiores expoentes da Nouvelle Vague francesa, no final da década de 50, certamente irá se lembrar da personagem Antoine Doinel, interpretado pelo ator Jean-Pierre Leaud, ator ego de Truffaut.  

boyhood-richard-linklater

Em “Boyhood”, a simplicidade e os fatos corriqueiros criam no espectador, quase de forma imediata, uma empatia e proximidade com os personagens. Ao retratar como o tempo passa pelas nossas vidas, o cineasta também ressalta os pequenos momentos que, muitas vezes, passam despercebidos, mas que fazem toda diferença.

O filme também apresenta uma narrativa leve e não há uma curva dramática. A passagem do tempo, entre uma idade e outra de Mason, é muito sutil, e quando nos damos conta, já estamos nos créditos finais.

Aclamado pelos Festivais, e não é para menos, o filme realmente impacta pela sua grandeza, sutileza e tamanha sensibilidade. 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.