Café Society: Woody Allen sem surpresas, mas ainda assim encanta

O novo longa-metragem do cineasta norte-americano Woody Allen, “Café Society”, que abriu o Festival de Cannes, um dos mais prestigiados eventos de cinema do mundo, realizado entre os dias 11 a 22 de maio, na França, tem como norte a metalinguagem.

Allen se apresenta logo de cara como a figura do narrador em “Café Society”, filme que traz como pano de fundo a Era de Ouro, década de 30, ao narrar à trajetória de seu alter ego, o  Bobby (Jesse Eisenberg, de “Mais Forte que Bombas”),  jovem judeu, que muda para Los Angeles com o sonho de ganhar a vida nos grandes estúdios de cinema, assim, passa a trabalhar junto ao tio Phil, interpretado por Steve Carell (“A Grande Aposta”, indicado ao Oscar 2016), grande agente de cinema. Porém, acaba se apaixonando por Vonnie (Kristen Stewart, de “Acima das Nuvens”), secretária e amante do tio/chefe.

O filme traz uma narrativa leve, de certa forma, despretensiosa, sem novidades no roteiro. Para quem é familiarizado com a filmografia de Allen, talvez tenha tido aquela sensação de “já vi isso antes”, pelo menos foi o que senti. Mas nem por isso o filme perde seus méritos. Allen continua em plena forma.

Com referência ao clássico do cinema "Casablanca" (1942) e ar de “O Grande Gatsby”, do cineasta Baz Luhrmann, adaptação da obra prima de F. Scott Fitzgerald, Allen, ao mesmo tempo em que presta uma homenagem a esse período do cinema, também ironiza as idiossincrasias e artificialidade de seus ídolos.

O trunfo de “Café Society” está nos elementos técnicos. Allen, além de estrear o formato digital, também opta pelo Aspect Ratio, que se refere à proporção da tela, novidade em seu cinema. A fotografia é, realmente, um show a parte, de encher os olhos, quem assina é o grande mestre italiano Vittorio Stararo, vencedor do Oscar de Melhor Direção de Fotografia por “Apocalypse Now” (1979), “Reds” (1981) e “O Último Imperador” (1987).

O conceituado diretor de fotografia trabalha com maestria a luz e a cor, que além de pontuar, e/ou evidenciar a mise in scène, dando o tom à linguagem do filme, também é empregado como elemento narrativo. E por fim, destaque também aos belos movimentos de câmera.

O figurino é outro destaque, a grife Chanel assina parte das peças, bem como as jóias art decó, que retratam todo o charme e glamour da época em que discorre o enredo do filme; e, é claro, a maravilhosa trilha sonora, onde jazz embala as tramas agridoces de Café Society.

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.