“Casa Grande”: entre os abismos sociais

 

"Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro"

Gilberto Freire

Com duas produções de curtas-metragens e um documentário na bagagem, o cineasta Fellipe Barbosa estreia agora o filme de ficção e autobiográfico “Casa Grande”, cujo enredo aborda sobre uma família carioca de classe alta que se encontra em meio a uma crise financeira. 

Diante desse cenário, Jean, um adolescente de 17 anos, interpretado por Thales Cavalcante, se vê em uma jornada de autodescoberta (dúvidas em que profissão optar no vestibular, descoberta sexual) e lidar com os problemas familiares, vivido pelos atores veteranos Marcello Novaes (pai) e Suzana Pires (mãe).

O longa-metragem também acompanha a formação de caráter do protagonista nesse processo que o leva a ver a vida com outros olhos. Com isso, Jean passa a se distanciar da família e se aproximar mais das pessoas que, para ele, são mais amorosos e sinceros: os empregados da casa.

Como o próprio título já diz por si, o filme faz referência ao clássico livro “Casa Grande & Senzala”, do sociólogo, antropólogo e escritor pernambucano Gilberto Freire.

Há uma semelhança em “Casa Grande” como o longa-metragem “O Som ao Redor”, de cineasta Kleber Mendonça Filho, que parte do microcosmo para discutir algumas problemáticas contemporâneas que, no filme em questão, abordam, por exemplo, o sistema de cotas nas universidades, as diferenças de classes sociais, relação entre patrão e empregado, propostos pelo cineasta, discutidas na trama de forma superficial.

Além disso, o cineasta tem a preocupação em buscar fugir dos esteriótipos, e também apresenta tanto um cuidado estético quanto na construção das personagens principais e de apoio no filme. 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.