“Chien Bleu”, um misto de realismo e fábula

O curta-metragem "Chien Bleu", terceiro filme da dupla de cineastas franceses Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, exibido no My French Film Festival 2019, é um misto de realismo e fábula, que fala sobre a inclusão e a diversidade partindo da história de Emile (Michel Pichon), um homem de 60 anos que há meses sofre devido o medo do mundo exterior passando a isolar-se dentro de casa.

Para proteger-se e sentir mais seguro, pinta objetos, móveis, tudo, tudo de azul, até que um dia também tinge seu cão de estimação.O filho, Yoann, interpretado pelo ator Rod Paradot, aflito com a situação nota, ao ver o cachorro azul, que nem os remédios e o que tem feito até momento não melhorou o quadro de Emile, sentiu medo de no futuro ficar como o pai.

Certa dia, conhece a jovem Soraya, vivida pela atriz Mariam Makalou, que dança Tamil e também mora no mesmo surbúbio de Paris. Imediatamente ela chama sua atenção. Vestida toda de azul, mesmo sendo um tom escuro, vê alegria nela. Aos poucos se aproximam, juntos tentam encontrar uma outra saída para tirar Emile do isolamento.

"Chien Bleu" traz referências estéticas e de personagens de filmes de como "Trois Couleurs: Blue" (1993), no Brasil, titulado "A Liberdade é Azul", do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski; "Les Amants du Pont Neuf" (The Lovers on the Bridge), 1991, de Leos Carax.

Tonalidades da cor azul predominam o filme expressando a melancolia do isolamento e da solidão. Porém, com a chegada da personagem Soraya, é notório a mudança na paleta de "Chien Bleu"; aos poucos, novas cores são inseridas e o azul, nessa nova composição, ganha outra conotação. A banda sonora também dialoga com a narrativa do filme.

A direção sensível de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh faz de "Chien Bleu" um filme belíssimo.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.

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