Conto de Caio Fernando de Abreu é adaptado para o cinema

 

“Você nunca ouviu falar em maldição
nunca viu um milagre
nunca chorou sozinha num banheiro sujo
nem nunca quis ver a face de Deus."

(Cazuza – "Só as mães são felizes")

 

“Linda, Uma História Horrível” é um conto publicado em 1988, de Caio Fernando de Abreu (1948–1996), escritor gaúcho autor com vasta produção literária que abrange romances, peças teatrais e contos.

Adaptado para o cinema pelas mãos do diretor e artista gaúcho Bruno Gularte Barreto, em parceria com Besouro Filmes, o curta-metragem “Linda, Uma História Horrível”, mesmo título da obra literária, narra a história de um filho (Rafael Régoli) que, depois de muitos anos, resolve visitar a mãe (Sandra Dani) após descobrir que está com AIDS.

O filme, como no próprio conto, inicia-se com a epígrafe “Só as mães são felizes”, de Cazuza, que inclusive abre esse texto, anuncia ao espectador a exclusão de felicidade do filho.

A relação entre mãe e filho, já enfraquecida pelo tempo, serve de pano de fundo para levantar questões existenciais vividos por ambas as personagens, intensificadas pelos enquadramentos mais fechados e planos detalhes, além da narrativa simples carregada de significados.

Os tons pastéis presente no figurino e ambiente, que parece se fundir com a pele pálida da mãe, matizam as cenas. O emprego dessas cores no curta tem a função de dialogar e, ao mesmo tempo, aproximar o espectador daquele momento complexo vivido pelos personagens. O filme é embalado pela belíssima trilha sonora “Redoma”, do cantor e compositor Filipe Catto.

Há um ponto semelhante entre a mãe, o filho e Linda, a cachorrinha de estimação: as manchas. Embora essas manchas se diferenciem pelo seu aspecto, efeito e causa, há um fator em comum entre os três: a proximidade do fim da existência.

Fica aqui a minha recomendação para a leitura do conto quanto ao curta-metragem, lindo trabalho de Bruno Gularte Barreto.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.