[CRÍTICA] STAR WARS EPISÓDIO VII- O DESPERTAR DA FORÇA

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Escrito por Murillo Perecinotto.

O texto abaixo contém spoilers, siga adiante somente se você assistiu ao filme.

O novo Star Wars é um sucesso absoluto. Agradou crítica, fãs e não-fãs. A bilheteria já é a maior de todos os tempos nos EUA, e corre por fora para alcançar Avatar e Titanic mundialmente (1º e 2º, respectivamente). Mas por baixo de todo o hype, merchandising e sucesso comercial, em termos de história, qual o balanço do novo episódio do universo criado por George Lucas? 30 anos se passaram desde os eventos do Episódio VI – O Retorno de Jedi, tanto na tela quanto na vida real. E esse foi o grande desafio do filme: continuar fiel à trilogia original e ainda ser de fácil compreensão para atrair novos públicos e fãs. Como fazer?

Imagine você que ficou vários anos sem ver aquele amigo inseparável, e quando se encontram novamente estão acompanhados de pessoas que não estavam lá na época em que vocês eram "unha e carne". Não só vocês estarão muito curiosos para saber como estão suas respectivas vidas na atualidade, como, também, lembrarão de muitos fatos e ocorridos, contados a gargalhadas e muito saudosismo. Dessa forma, se divertem lembrando dos "velhos tempos" e dão contexto para seus acompanhantes, sem deixa-los deslocados no assunto. Assim se resume a sequência dirigida por J.J. Abrams.

No início somos apresentados aos novos personagens. Pelo lado dos heróis: Poe Dameron (melhor piloto da Resistência), Finn (Stormtrooper sem empatia pela filosofia da Primeira Ordem) e Rey (Sucateira residente em Jakku). Do lado dos vilões: Kylo Ren (aprendiz do Lado Negro), Capitã Phasma (líder dos Troopers) e General Hux (Líder da Primeira Ordem e imediato do Supremo Líder Snoke). Somente depois dessas introduções é que começam a chegar personagens conhecidos, como Han Solo e Chewbacca.

Essas introduções aos personagens foram interessantes para criar um ar de mistério e, principalmente, expectativa. Ao longo das cenas, começamos ver personagens conhecidos, além de muitos “easter eggs” com referências ao Episódio IV, que claramente serviu de base estrutural para o filme. A certa altura, o "novo" já foi apresentado e o "velho" já saudou os fãs, dando início ao clímax, com a destruição (de novo, gente?) da nova Estrela da Morte, a base Starkiller (olha o easter egg aí de novo). É nesse ponto que o filme escorrega: cria-se no roteiro uma solução apressada do conflito.

Se no Episódio IV foi necessária uma missão secreta com a própria Princesa Leia na execução da tarefa, quando se disfarçaram de missão diplomática da República para assim roubarem os planos da Estrela da Morte, no novo filme, os planos da Base Starkiller (muito maior e mais avançada) simplesmente aparecem no centro de comando da Resistência como num passe de mágica, e Finn, ex-Stormtrooper que atuava em serviços de saneamento na Base, sem nenhum conhecimento bélico, sabe como destruir a base. Nesse momento, o plano se torna "entrar e atirar" (bem estilo Han Solo, não?), levando à luta épica do clímax do filme, com a morte de Han Solo pelas mãos de seu filho Kylo Ren, antes Ben Solo.

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Enquanto Rey começa a ter manifestações da Força e, estranhamente rápido, consegue dominar seus poderes, a Capitã Phasma é literalmente descartada do filme, onde foi parar nos compactadores de lixo sem ter oportunidade de mostrar a que veio. A mesma solução apressada aparece na busca por Luke. O filme todo se baseia na busca do mapa para encontrá-lo. Quando finalmente o analisam, percebem que é só uma pequena parte de um enorme arquivo. Subitamente R2-D2, que estava hibernado há muitos anos, recobra suas energias e transmite o restante do mapa holográfico, unindo as duas partes.

À exceção dessas soluções desnecessariamente rápidas, o filme entrega todo o saudosismo que se esperava, e ainda coloca alguns mistérios em tela, plantando a semente para a sequência da trilogia. Resta saber se essa estratégia será suficiente para cativar um novo público. Para o Episódio VIII fica a pergunta: quem é Rey?

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