Dov Simens: o mestre do cinema independente

 

Estudar, estudar, estuda e, é claro, colocar a mão na massa. Esses são alguns dos requisitos para quem almeja trilhar no mundo cinematográfico.

Ao saber que o mestre do cinema independente americano, Dov Simens, estava em turnê com o curso “Hollywood 2 Day Film School” no Brasil, não dava para perder uma oportunidade dessa.

Dov Simens nada mais é que um produtor e fundador da Hollywood Film Institute, nos Estados Unidos. Foi professor na New York University, Harvard, UCLA e teve como alunos grandes nomes do meio cinematográfico, dentre eles, os cineastas Quentin Tarantino, Guy Ritchie e o ator Will Smith.

Tarantino

O currículo dele não fica por aí não, já trabalhou como diretor de produção de mais de 100 filmes e ainda escreveu alguns livros, como o “From Reel to Deal: Everything You Need to Create a Successful Independent Film.” Sim, ele é “O CARA”.

Munida de caderneta e lápis, tomei nota de tudo e compartilho aqui, no EntreLinha Blog, um pouquinho do que rolou no curso, que aconteceu no final de outubro em Paulínia.

Nesse curso intensivo, Dov Simens foi bem categórico ao citar que as pessoas que produzem filme no Brasil precisam “entender primeiro que [o cinema] se trata de um negócio, depois como contar histórias, e em terceiro como fazer filmes que sejam rentáveis.” Afirmou que falta no mercado brasileiro tanto bons produtores quanto empreendedores em cinema.

simens

Sem rodeios, comentou que os roteiros brasileiros são ruins (não sabemos contar histórias). Ideias interessantes nós temos, mas na hora de desenvolvê-las, aí é outra conversa.

Não tem como salvar uma história que é ruim. “Se o roteiro é ruim, a produção é ruim, você ainda pode fazer dinheiro disso se você tiver um bom marketing.” No entanto, se tiver um bom roteiro e pouco dinheiro e um bom marketing, é possível fazer um bom filme.

Em uma entrevista cedida a Veja pelo guru dos roteiros, o americano Robert McKee, (que reforça a opinião de Dov) citou que as produções brasileiras (novelas, seriados e filmes) precisam ser melhores trabalhadas. “Os personagens, principalmente dos programas de televisão, não são nada complexos, dizem exatamente o que estão falando ou sentindo. E isso, é claro, é algo extremamente artificial, eles não têm profundidade ou subtexto, são muito previsíveis e clichês. A audiência não precisa disso, vai entender sem o personagem ter de dizer. Os brasileiros precisam aprender a contar histórias por implicações, não por explicações.”

Outra questão levantada é o número de salas de cinema existente no país. Nos Estados Unidos, esse número está em torno de 40 mil salas, enquanto aqui, apenas 2,5 mil salas. Ao analisar esses dados e comparar com o número de habitantes no Brasil que, segundo o IBGE, é de 200,4 milhões de pessoas, observamos que poucas pessoas têm acesso ao cinema.

Voltando ao ponto que mencionei no início, é preciso colocar a mão na massa. É preciso aprender como se faz um roteiro, é preciso dar o primeiro passo se for isso mesmo que almeja fazer. Ninguém vai ficar famoso com sua primeira produção. Se você tiver a oportunidade de conhecer um pouco da história de grandes cineastas como Charles Chaplin, Martin Scorsese, Tarantino ou Alfred Hitchcok, por exemplo, são inspiradoras.

Como mesmo disse o mestre do cinema independente Dov Simens durante o curso, é só tirar a “bunda da cadeira” e arregaçar as mangas e fazer as coisas acontecerem. Tudo depende de cada um, da força de vontade, disciplina e correr atrás do que realmente almejam. É difícil? É. Mas não impossível.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.