Estudo aponta desigualdade de gênero na direção de obras brasileiras na TV Paga

No final de março, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) publicou um estudo bem interessante e inédito que traz um recorte por gênero na direção das obras brasileiras veiculadas na TV Paga em 2017, e nos dá uma ideia de como anda esse cenário.

Elaborado pela coordenação de Monitoramento de TV Aberta e Paga da Superintendência de Análise de Mercado da Ancine, o recente estudo aponta um resultado alarmante marcado por grande desigualdade. Apenas 14,9% foram dirigidas exclusivamente por mulheres, como podemos notar logo abaixo.

Fonte: Ancine/OCA, 2018.

Se compararmos, a situação é bem similar ao da exibição de filmes em salas de cinemas revelado no estudo Diversidade de Gênero e Raça nos lançamentos Brasileiros de 2016, que também discutimos aqui no EntreLinha. E Quando nos deparamos com o número de obras veiculadas na TV Paga, totalizando 5367 em 2017, como mostra o gráfico, as mulheres dirigiram somente 16% dos filmes e 14% outras obras audiovisuais, enquanto os homens ainda dominam (79% – filmes e outras produções).

Fonte: Ancine/OCA, 2018.

Outro ponto triste apresentado é que apenas 10 canais, são eles: Curta! O Canal Independente, CineBrasilTV, Prime Box Brazil, GNT, Canal Brasil, TV Rá Tim Bum, Arte 1, Chef TV, como pode ser visto logo a seguir, exibem obras com direção exclusivamente feminina, enquanto outros 28 não constaram nenhuma obra.

Embora seja pouco o número de canais, ainda faltam mais espaço para essas produções, porque elas estão sendo produzidas.

Fonte: Ancine/OCA, 2018.

O estudo também mostra a participação feminina na direção por gêneros audiovisuais, possibilitando uma melhor visão dessas produções, sendo que 9% são obras de animação, 12% ficção e reality-show, 14% são variedades e videomusical e o documentário acaba destacando entre elas, com 19%.

No entanto, quando comparamos com a direção masculina, como fica bem claro no gráfico abaixo, é algo gritante, a distância é muito grande.

Fonte: Ancine/OCA, 2018.

Isso vem bem de encontro com um debate que ocorreu na Casa do Baixo Augusta, situada no centro de São Paulo, no dia 23 março, na qual trouxe a discussão sobre "Mulher e Cinema", com a participação das cineastas Yasmin Thayná, Lô Potilli, Laís Bodansky e a Marina Person. E como elas bem disseram, não é somente a questão da representação da mulher na tela, mas também o número inferior das mesmas atuando na função do discurso e importância cada vez maior de um cinema feito por mulheres, de criamos novos imaginários, pois os dados apontados não deixam mentir a realidade do setor audiovisual brasileito atual, que é alarmante.

E para conferir o resultado completo do estudo é só clicar aqui.

 

 

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É amante das artes, da literatura e cinéfila.