Fauve, a perda da inocência

Em sua quarta produção fílmica, o diretor e roteirista Jérémy Comte impacta-nos com "Fauve" (2018), um curta-metragem com pouco mais de 16 minutos que traz como temática central a perda da inocência, exibido no My French Film Festival 2019.

O filme inicia-se dentro de um vagão abandonado, onde dois garotos se enfrentam num jogo de poder perverso, divertindo-se enganando um ao outro. Certo momento, um deles menciona assustado para o outro não mexer-se, pois próximo a eles havia uma raposa, animal que traz uma forte carga simbólica a narrativa. O amigo, de costas, não acredita. Vira-se, mas não vê nada. Acha que faz parte da brincadeira, embora seja o único momento que o outro insiste dizer que é verdade, mas logo esquecem o episódio.

Caminhando, avistam uma mina a céu aberto. Ambos passam por baixo da cerca e entram no local proibido. Em meio as tais bricadeiras ingênuas com certo tom de violência, vão explorando a mina, mas, no entanto, a dramaticidade do filme intensifica-se quando aproximam de uma área onde é bem similar a areia movediça. E a natureza é a única testemunha.

Dirigido com maestria, Jérémy Comte nos apresenta um filme visceral e impactante; o espectador, esse não sai ileso dessa experiência filmica.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha e Coletivo Pausa. É cinéfila, amante das artes e da literatura.