Faz parte do show

 

O Brasil viveu entre os anos de 1964 e 1985 sob a ditadura militar. Nesse período, foi marcado pela censura, repressão e perseguição política, supressão de direitos constitucionais e sem eleições diretas.

Com o término do regime, o país passou por uma redemocratização; retomam as práticas eleitorais e reconstituem a importância das posições política. As disputas eleitorais passam a ser vista como um mercado empresarial.

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A descoberta do mercado eleitoral – representado por materiais e serviços empregados por candidatos em suas campanhas eleitorais – chegou como uma grande oportunidade para profissionais e empresas atender essa nova demanda.

Esse mercado é constituído por dois agentes básicos: o candidato e eleitor. O candidato anseia obter do eleitor informação para desenvolver programas de atuação política e o seu voto. Já o eleitor, almeja que o candidato cumpra suas promessas. E nessa corrida para conseguir um “lugar ao sol” e poder, é claro, os candidatos usam de várias artimanhas e estratégias que, a maioria das vezes, não nos atentamos.

Você pode achar até bobeira, mas a aparência (vestuário marcante, corte de cabelo, dentes bonitos, maquiagem, etc.), a forma de falar, a postura, e outros artifícios ajudam a atrair a atenção dos eleitores. Essa estratégia também pode conquistar votos, um bom exemplo é o que ocorreu nas eleições de 1989, em que Fernando Collor de Mello concorria com Lula e o Leonel Brizola.

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O ex-presidente Fernando Collor de Mello, com seu ar de “boa pinta”, “estiloso” e carismático, causou uma boa “primeira impressão”; aliado há outras estratégias de marketing político e eleitoral, acabou conquistando a presidência.

A mestre e pesquisadora Denise Pollini, que ministra a disciplina Estética e Estilismo de um Candidato no curso de especialização de Marketing Político da USP, vê essa tática como um chamariz, ou seja, uma forma de atrair a atenção do eleitorado.

Outro caso mais próximo é do ex-presidente Lula que, após três derrotas consecutivas (1989, 1994 e 1998) consegue finalmente assumir o governo brasileiro em 2002. Vale ressaltar que essa façanha se deu porque houve por traz um trabalho de marketing político e eleitoral muito bem feito e planejado que ficou a cargo do famoso publicitário Duda Mendonça.

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Para ter uma noção desse jogo, recomendo que assista o documentário “Entreatos”, do cineasta João Moreira Salles, mostrando os bastidores. É muito interessante e tenho certeza que irá ampliar sua visão.

É importante ressaltar que a maioria dos eleitores não costuma vir munidos de mecanismos de participação política a cada eleição, mas sim de expectativas. Depositam no candidato de sua preferência todos os seus anseios e esperança de melhoria, porém, ao serem bombardeados com notícias de corrupção e promessas não cumpridas geram neles grande frustração e decepção. Isso levá-los a uma busca permanente por “bom candidato” “o salvador” que realmente vá atender as necessidades da população.

Quando se cria uma afinidade entre eleitor em relação ao candidato, ele se acaba se tornando vulnerável e aberto aos apelos da campanha. Deste modo, internaliza os atributos emblemáticos e as promessas e passa a reproduz os elementos presentes no discurso do candidato.

Não deixe de ler a matéria “Qual a relação do cinema com as campanhas eleitorais desse ano?”, publicado recentemente aqui no EntreLinha Blog. Tudo isso e mais um pouco fazem parte do show.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.