“Fim do Mundo”: um Brasil arcaico

Tenho uma grande predileção pelas produções cinematográficas pernambucanas contemporâneas e autorais. E cada vez mais, eu tenho debruçado o meu olhar sobre elas e, consequentemente, tem aumentado essa admiração pelos seus diversos aspectos.

Quando o Canal Brasil anunciou a nova série titulada “Fim do Mundo”, dirigida por nada mais nada menos que Hilton Lacerda (Tatuagem) e Lírio Ferreira (Baile Perfumado), surtei com a notícia. Além de gostar muito do trabalho de ambos, fiquei bem curiosa para saber o que vinha por aí.

A série se passa em Desterro, cidade fictícia que se olharmos mais atentamente, vemos um retrato de um Brasil arcaico, machista, sexista, preconceituoso, autoritário, que parou no tempo, nada muito diferente do que vemos na “realidade”.

“Fim do Mundo” narra à história de Vitória (Hermila Guedes) e Cristiano (Jesuíta Barbosa), mãe e filho, que se vê forçada a voltar para Desterro, cidade natal em que ela havia deixado para traz na adolescência. Os elementos regionais interioranos e lendas dão tom e vai ambientando o espectador na narrativa, além de trazer uma experimentação estética muito interessante, que me agradou bastante.

A série não apresenta grandes plot twister e a trama central de “Fim do Mundo” é costurada em subtramas adaptadas livremente dos contos autores nordestinos que intitulam os episódios: Ronaldo Correia Brito (“Mentira de Amor”, Hermilo Borba Filho (“Mateus”), José Carlos Viana (“O Dia em que Céu Casou”), Sidney Rocha (“Castilho Hernadez, o Cantor e sua Solidão), que intitulam os episódios, sendo que o último conto, “Fim do Mundo”, o epílogo, é de autoria de Hilton Lacerda.

Visto nas produções cinematográficas pernambucanas, tais como, “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcanti, “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, “Tatuagem”, do próprio diretor Hilton Lacerda, também é explorada a intensidade das relações humanas na série.

A série é permeada por uma sexualidade, sendo que ora se apresenta mais explosiva e erotizada, ora latente, como, por exemplo, vista na relação entre as personagens Vitória e Cristiano, que fica subentendido que há respingos dessa sexualidade.

“Fim do Mundo” está disponível na íntegra para assinantes no serviço de streaming do Canal Brasil na Globosat Play. Para quem ainda não conferir, vale muito a pena ver.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.