“Força Maior”: uma crítica a sociedade burguesa

 

Quando vi o trailer do filme “Force Majeure” (Força Maior), do diretor sueco Ruben Östland, confesso que não tinha dado muito pelo filme, no entanto, havia uma cena que fez assisti-lo. Assim que subiu os créditos finais, a primeira coisa que disse foi “sensacional”.

A trama centra-se no casal Tomas (Johannes Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli), que vão passar as férias com os filhos nos Alpes franceses. Porém, certa manhã, durante a refeição no restaurante do resort acontece um incidente. Uma avalanche toma direção ao local, terror instaura momentaneamente entre as pessoas. Ebba corre para proteger os filhos pedindo socorro ao marido, enquanto Tomas foge para salvar sua própria vida.

A cena em questão, que desencadeia toda a história do filme, é trabalha meticulosamente pelo cineasta. Ao longo de “Força Maior” é nítido esse cuidado e a ótima direção de seus atores.

Após o susto, os turistas retomam, aos poucos, à mesa. Quando a família volta a se reunir para terminar o almoço, instala entre eles uma sensação insuportável de incomodo e um silêncio que parece ecoar entre as personagens.

A avalanche é uma metáfora dos próprios conflitos internos da família que, diante desse perigo, veem as máscaras caindo uma a uma e, consequentemente, traz a tona problemas que, até então soterrados, para a superfície. 

Diante da situação, Ebba indigna-se com a atitude do marido, que nega a todo o momento a sua fuga. Há um olhar distanciado, na qual os fatos vão desenrolando de forma lenta, mas de forma brilhante, que é trabalhada meticulosamente ao longo do filme.

A trilha sonora, a música de Vivaldi, entra como um elemento narrativo na trama, que é articulada com maestria por Östland. A trilha alerta as dissonância que ocorrem e quebra o silêncio que paira no filme.

“Força Maior” é um filme reflexivo e, ao mesmo tempo, crítico. O cineasta, que também assina o roteiro, critica, por meio da personagem de Tomas, a sociedade burguesa, as máscaras que usamos para mantermos as aparências e esconder quem realmente somos.  Sem dúvida, é um filme que vale a pena conferir.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora e cineasta. Amante das artes, cinéfila e cofundadora do EntreLinha.