“Jogo de Cena”: entre a realidade e a ficção

 

Duas cadeiras no palco do Teatro Glauber Rocha (RJ),  auditório vazio, pouca iluminação ao fundo e 13 mulheres. Cada um delas, uma por vez, compartilham depoimentos sobre suas relações afetivas, do eu e o outro, que envolvem e emocionam o espectador.

Os personagens  (re) vivem a vida ao longo do documentário através de seus relatos. Porém, o documentário reserva mais do que histórias com narrativas de forte carga emotiva e sentimentos à flor da pele.

“Jogo de Cena” é literalmente um jogo entre o que é realidade e ficção. Coutinho tenta demarcar as fronteiras – embora isso não seja mais novidade no cinema -,  mas com maestria dá um tom mais poético à questão.

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É possível observar esse jogo na própria narrativa dos personagens. Ao longo do documentário é apresentado ora narrativas inteiras, outros momentos apenas recortes de histórias contadas pelos personagens que são intercaladas ou repetidas por outro personagem. 

Esse jogo de cenas criado pelo Coutinho leva a questionar: o cinema é um reprodutor mecânico do real? Ele mostra a realidade de forma verdadeira? O que é real? O que é encenação?  Afinal, até que ponto é possível (ou se é possível) distinguir um do outro?

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As fronteiras entre a realidade e a ficção estão cada vez mais estreitas que chega a iludir o espectador de tal forma que ele acredita que o que vê em um filme seja algo real, mas na verdade não é. O que vemos não é o “real da realidade (o que diz o senso comum)”, mas uma representação da realidade.

Para quem ainda não assistiu “Jogo de Cena”, assista. Vale a pena conferir.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.