“La La Land Cantando Estações” evoca a magia dos musicais clássicos hollywoodianos

Os musicais, embora seja amado por uns, odiado por outros, mas, particularmente aprecio, é um gênero muito especial na história do cinema. Esse gênero vem dos musicais teatrais e da ópera, e surge em consequência do cinema sonoro e teve seu auge entre anos 1930 até o início de 1950, sendo que no período de 1927 e 1930, foram produzidos cerca 200 filmes.

Em “La la Land – Cantando Estações”, do cineasta Damien Chazelli, mesmo do longa-metragem “Whiplash, A Busca da Perfeição”, acompanhamos os protagonistas Sebastian (Ryan Gosling), um pianista de Jazz que chega à Los Angeles, e Mia (Emma Stone), atriz iniciante, ambos estão em busca de realizar seus sonhos, ao se conhecerem, acabam se apaixonando..

Com um roteiro simples, mas não simplista, e o jazz como fio condutor da narrativa, La La Land é um filme melancólico, nostálgico que dialogam com o cinema, e, ainda, exalta a indústria hollywoodiana (como, por exemplo, vemos no filme “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", do cineasta Alejandro González Iñurritu), ao mesmo tempo, trata de assuntos universais: amor, sonhos e o impacto  que causa um no outro.

Entre planos mais abertos e contínuos, podemos ver claramente que a magia dos grandes clássicos musicais é evocada nessa produção cinematográfica de forma encantadora, tocante, bela. Uma homenagem ao gênero.

O que não faltam no longa-metragem são as referências, tais como, “Shall We Dance” (1937), “Le Balllon Rouge” (1956) – um curta-metragem clássico do cinema francês, não é musical como os outros citados –, “West Side Story” (1961), “Les Parapluies de Cherbourg” (1964), “Sweet Charity” (1969), “Grease” (1978), “Boogie Nights – Prazer Sem Limites” (1997), mas, principalmente, o filme “Cantando na Chuva” (1952), estão ali, explicita ou não, nas cenas.

 

As cores é algo que me fascina nesse filme, pois vai além de criar um clima e ambientes as cenas. Elas são empregadas como um elemento importante na narrativa com o intuito de transmitir ao espectador a personalidade e o emocional das personagens de Emma Stone e Ryan Gosling. E é claro, a forma como o diretor se utiliza da luz, outro ponto a se atentar.

O figurino, assinado por Mery Zopheres, que já teve seu trabalho indicado ao Oscar por “Bravura Indômita”, dos irmãos Coen, inspirado nos musicais dos anos 60, e a deliciosa  e encantadora trilha sonora, que inclusive foi premiado no Oscar 2017, bem como “City of Stars” (Melhor Canção Original), música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul, são elementos que enriquecem a história apresentada ao espectador. Ouça aqui a trilha de La la Land.  

"La la Land" faturou vários prêmios pelos festivais que passou, e no Oscar 2017 igualou o número de indicações, 14, com duas grandes produções: “A Malvada” (1950), dirigido por Joseph Mankiewicz, e “Titanic” (1997), de James Cameron. O filme certamente não agradará a todos, mas, mesmo quem não curte muito musicais, recomendo. Vale a pena conhecer outros gêneros e se deixar embalar pelas canções. Não deixe de conferir aqui a lista dos prêmios conquistados pelo filme nesta edição do Oscar.

 

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, do Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.