O banquete visual do cineasta Wes Anderson

 

O cineasta Wes Anderson, conhecido pelo seu estilo autoral, mais uma vez nos brinda com uma belíssima obra cinematografia. “O Grande Hotel Budapeste” é um daqueles filmes que vale cada segundo.

Inspirado nos escritos do poeta e dramaturgo austríaco Stefan Zweig, que se exilou no Brasil, em 1934, devido às perseguições nazistas aos judeus, “O Grande Hotel Budapeste” conta a história de monsier Gustave, interpretado pelo ator Ralph Fiennes, um homem que cuida impecavelmente do hotel e além de ser famoso por manter relações íntimas com as hóspedes mais velhas, ricas e carentes.

A trama gira em torno de uma herança que monsier Gustave recebe de sua amante, Madame D (Tilda Swinton), uma obra de arte, causando um grande rebuliço entre os familiares da senhora. Ciente que não iria recebê-la tão facilmente, rouba o quadro com a ajuda de Zero.  E nessa divertida confusão, o afeto e os laços de amizade com o novato mensageiro Zero Moustafa (Tony Revolori) se estreitam, no qual se torna a essência do filme.

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Os personagens interpretados por Adrien Brody, Willem Dafoe, Bill Murray, Mathieu Amalric, Léa Seydoux, Owen Wilson, entre outras estrelas, embora alguns apareçam pequenos momentos em cena, cada qual tem um peso e relevância dentro da trama do filme.

“O Grande Hotel Budapeste” é como a Matryoshka, a tradicional boneca russa, que apresenta uma história dentro da outra. E com maestria, Anderson conduz o espectador em cada trama, sem confundi-lo, prendendo sua atenção até o final.

O filme faz referências às clássicas comédias do cineasta alemão Ernst Lubitsch, principalmente em relação aos diálogos. Além de apresentar, como em outras produções, um forte apelo visual e enquadramentos simétricos dos elementos cênicos, uma obsessão de Anderson que, inclusive, é abordado no vídeo-ensaio “Centered”, realizado pelo cineasta sul-coreano Kogonada. 

Em “O Grande Hotel Budapeste”, que traz como pano de fundo a guerra, mescla comédia, drama, mistério, ação, assassinato e romance, tudo bem dosados. É um dos melhores filmes lançados em 2014.

Para matar um pouquinho da curiosidade daqueles que, como eu, nunca dispensa um making off, é só conferir o vídeo: 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.