Oscar 2017: a busca por mais diversidade em Hollywood

Há um ano acontecia a campanha que fez bastante barulho no meio online, #OscarSoWhite, que denunciava a ausência de afro-descendentes concorrendo ao Oscar. Em contraste com a edição anterior, o Oscar 2017 indicou 18 negros em várias categorias. Além disso, também apresentou um número um pouco maior em relação às indicações de mulheres.

Em relação ao Oscar, um estudo do Women’s Media Center apontou que, além das mulheres na disputa de melhor atriz e coadjuvante, apenas 20% são indicadas nas outras 19 categorias, ou seja, 37 mulheres contra 152 homens.

Fonte: Women’s Media Center

Nesta edição, vemos a única mulher em Melhor Trilha Sonora, a cantora e compositora Mica Levi, que assina a trilha do longa-metragem “Jackie”, do cineasta Pablo Larraín, com 3 indicações ao Oscar. Já nas categorias principais, como a direção, por exemplo, temos Ava DuVernay que dirigiu o documentário “A 13ª Emenda” e o filme “Toni Erdmann”, de Maren Ade; em roteiro adaptado temos Allison Schroeder (“Estrelas Além do Tempo”), na edição, também apenas uma mulher, Joi McMillon, por “Moonlight”.

Outra categoria masculinizada é a edição de som, que traz Ai-Ling Lee, por “La La Land: Cantando Estações”, e na direção de arte, estão: Anna Pinnock (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”), Nancy Haigh (“Ave, César!) e Sandy Reynolds-Wasco (“La La Land: Cantando Estações”). Veja aqui a lista completa aqui.

Embora apresente algumas mudanças, o que é algo positivo, com certeza, ainda há um longo caminho pela frente para que seja considerado de fato uma diversidade, tanto na frente das câmeras como atrás delas, na indústria cinematográfica que é machista.  

  Colleen Atwood premiada como Melhor Figurino, por “Animais Fantásticos e Onde Habitam”

Um ponto polêmico que dividiu opiniões foi a premiação do ator Casey Affleck, irmão do ator Ben Affleck, como Melhor Ator por “Manchester à Beira-Mar”. A acusação de assédio sexual feita contra o ator pela produtora Amanda White e a diretora de fotografia Magdalena Górka, durante a produção do filme “Eu Ainda Estou Aqui”, veio à tona.

Ironia do destino ou não, quem entrega a estatueta ao ator é justamente a atriz Brie Larson, premiada no Oscar 2016 como Melhor Atriz no drama agonizante “O Quarto de Jack” pela sua atuação na pele de uma sobrevivente de estupro, presa por 7 anos que teve filho nascido no cativeiro. A atriz atua há anos em defesa dos sobreviventes de violência sexual. Durante a entrega foi visível o desconforto de Larson.

O assunto tem gerado muitas discussões e reflexões, inclusive, outros homens, tais como, o ator Marlon Brando, os cineastas Woody Allen e Roman Polanski, além do próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusados de abuso sexual, estão ativamente na mídia.

Viola Davis, premiada como Melhor Atriz Coadjuvante pelo filme "Fences"

Um momento memorável foi quando anunciaram que a atriz Viola Davis, sempre um espetáculo em suas atuações ao longa da carreira, sai premiada como Melhor Atriz Coadjuvante, por “Fences”, filme dirigido por Denzel Washington, adaptação de uma peça teatral de August Wilson. Vibrei. Acredite se quiser, mas esse é seu primeiro prêmio no Oscar, que é uma pena.

O Oscar 2017 também é marcado com confusão que, com certeza, ficará para a história. Durante a premiação final, já para ser anunciada a categoria de Melhor Filme, uma das mais aguardadas do evento, o apresentador revela o longa-metragem “La la Land: Cantando Estações” como ganhador. No entanto, quando os produtores se dão conta do erro, já com o diretor e sua equipe no palco agradecendo, é mencionado que o verdadeiro premiado é “Moonlight”. Sim, é isso mesmo que aconteceu. É, até parece coisa de filme, porém, pura realidade. O episódio levou a todos que estavam ali, bem como os espectadores ao espanto. Imagina!? O climão, é claro, rendeu vários memes na internet, inclusive, referenciando ao episódio que ocorreu no concurso Miss Universo 2015.

Diretor, atores e equipe do filme “Moonlight”

 

PREMIADOS OSCAR 2017

Melhor Filme: “Moonlight”

Melhor Diretor: Damian Chazelle por “La La Land”

Melhor Atriz: Emma Stone (La La Land)

Melhor Ator: Casey Affleck (Manchester à Beira-mar)

Melhor Ator Coadjuvante: Mahershala Ali (Moonlight)

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis

Melhor Roteiro Original: Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

Melhor Roteiro Adaptado: Barry Jenkins e Tarrel Alvin McCraney (Moonlight)

Melhor Animação: “Zootopia”

Melhor Documentário em Curta-metragem: “Os Capacetes Brancos”

Melhor Documentário: “O.J Made in America”

Melhor Edição: John Gilbert (“Até o Último Homem”)

Melhor Design de Produção: “La la Land: Cantando Estações”

Melhor Cabelo e Maquiagem: Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (“Esquadrão Suicida”)

Melhor Figurino: Colleen Atwood (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”)

Melhores Efeitos Visuais: Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones e Dan Lemmon (Mogli: O menino Lobo).

Melhor Canção Original: “City of Stars” (La la Land: Cantando Estações”), música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul

Melhor Trilha Sonora: Justin Hurwitz (La La Land: Cantando Estações)

Melhor Edição de Som: Sylvain Bellemare (“A Chegada”)

Melhor Mixagem de Som: Kevin O'Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace ("Até o último homem")

Melhor Curta-metragem: “Sing”

Melhor Curta-metragem de animação: “Piper”

Melhor Documentário de Curta-metragem: “The White Helmts”

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Publicitária, blogueira, produtora e cineasta. É cofundadora do EntreLinha Blog, Coletivo PAUSA e da websérie "Uma Pausa para o Café...", além de colunista do Design & Chimarrão.