“Quanto vale ou é por quilo?”: uma crítica a sociedade brasileira

por Surya Guimaraens.

“Quanto vale ou é por quilo” (2005), dirigido por Sérgio Bianchi, reconhecido pelas obras com doses generosas de críticas aos comportamentos da sociedade brasileira, é um filme classificado no gênero drama, que transita entre a ficção  e o documentário.

A primeira personagem do filme é Joana, uma ex-escrava alforriada, que conquistou uma pequena fazenda e adquiriu escravos, acontece que um homem branco e rico roubou um de seus escravos. Joana cheia de seus direitos reúne algumas pessoas e os documentos provando sua posse e vai até o homem em comitiva, mas a lei que deveria garantir os direitos dela não foi cumprida e ela acaba sendo condenada por ofender e perturbar o senhor de escravos. 

Após esse início dramático uma quebra no filme com imagens de negros usando alguns instrumentos de tortura e um narrador, que os descreve de forma técnica e fria, de forma tão detalhada que causa um desconforto no telespectador mais sensível.

O filme é um soco na boca do estômago, um “abra os olhos e veja a realidade”. Seria muito clichê dizer que é tão atual? Seria, mas realmente não evoluímos muito desde de a época da escravatura, e é esse paralelo que o filme mostra. Nele podemos ver que desde a época escravocrata não houve evolução, apenas se modernizaram os métodos de escravidão e desigualdade social. Escancara o grande comércio envolvido por trás da violência e da miséria e a supremacia de homens brancos que lucram e comandam o negócio.

Os links que “Quanto vale ou é por quilo” faz entre passado e presente provocam o senso crítico no sentido de refletir o que estamos vendo e vivendo nos dias de hoje. A forma como o ser humano é degradado ao longo do tempo e como os instrumentos de tortura e manipulação vão se sofisticando nesse processo.

O longa-metragem faz críticas severas as organizações não governamentais, que capita recursos públicos e criam grandes empreendimentos em nome da solidariedade, com frases de impacto descreve o sucesso e o marketing que mascara e deixa tudo mais palatável.

A obra traz tomadas de cenas contratantes, mostra a beleza e é repugnante ao mesmo tempo. Dentro da produção são mesclados narrações e diálogos. As transições entre passado e presente são acompanhadas de uma mudança na fotografia, permite sentir cada um dos tempos, em alguns momentos são apresentados documentos originais que embasam as passagens retratadas. As cenas no presente são bastante cruas, o que transmite veracidade e proximidade com a realidade.

“Quanto vale ou é por quilo” é um filme que vale a pena, por sua genialidade e fotografia, o enredo não deixa por menos.

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