Quem tem medo das Mulheres no audiovisual?

 

O lugar ocupado pela mulher na sociedade se reflete em todos os âmbitos da vida, e no meio audiovisual não é diferente. As discussões a respeito da escassez de mulheres dentro da indústria cinematográfica vêm sendo pautadas há anos e tem repercutido cada vez mais.

A desigualdade contra a mulher está tanto atrás das câmeras quando na frente dela, diante dos olhos atentos dos espectadores que acompanha o desenrolar de um filme. Está ali, às claras, para quem quer ver. Menos de um terço das personagens dos filmes de ficção com linhas de diálogos são mulheres.

Quando pensamos na força de trabalho para que o filme possa ser realizado, independente da função, apenas 22,5% ocupam essas tarefas. Para se ter uma ideia, a cada quatro homens cineastas (diretores, roteiristas e produtores), há apenas uma mulher. Segundo estudo realizado pela ONU Mulheres, Geena Davis Institute e Fundação Rockefeller, a indústria cinematográfica mundial perpetua a discriminação da mulher.

Em um encontro promovido pela Revista Variety, em parceria com a UN Women da ONU, no ano passado, a atriz e produtora Salma Hayek rasgou o verbo: “O cinema subestima a inteligência das mulheres há muito tempo. Os estúdios continuam achando que a gente só quer ver comédia romântica. Por que as mulheres pararam de ir ao cinema e começaram a ver TV? Porque a TV parou para nos escutar. E ainda assim Hollywood não usa um caso como o de 'Sex and the City' para fazer mais filmes nessa linha". No entanto, a sua crítica não ficou por aí. Hayek completou ao mencionar em relação aos cachês pagos para os atores, sempre mais altos. “O único lugar onde a mulher ganha mais do que o homem é no cinema pornô". 

Aqui no Brasil, de acordo com uma pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), coordenada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp-UERJ), um dos mais renomados centros de estudos de ciência política na América Latina, as mulheres negras brasileiras, apesar de representarem a maioria da população feminina do país (51,7%), apareceram em menos de dois a cada dez longas-metragens entre 2002 e 2012. Nesse período, nenhum dos mais de 218 filmes nacionais de maior bilheteria teve uma mulher negra na direção ou como roteirista.

Pensando nesses pontos, o Coletivo Vermelha toma a iniciativa de realiza o evento “Quem tem medo das Mulheres no audiovisual?” com o intuito de estimular reflexões, desenvolver ações que fortaleçam e, ao mesmo tempo, viabilizem a atuação das mulheres no meio audiovisual brasileiro.

Nós, do EntreLinha, além de sermos cinéfilos incorrigíveis, também somos pesquisadores e estudiosos do cinema, e é claro que não ficamos fora dessa discussão. O objetivo é compartilhar e refletirmos juntos essas questões que, muitas vezes, podem passar despercebidos aos olhos dos espectadores.

Por enquanto, aqui fica apenas um aperitivo para situar e, ao mesmo tempo, instigar sobre essas discussões que vem ocorrendo nesse meio e outros pontos importante que foram levantados durante o debate em questão, que você também confere aqui.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora e cineasta. É amante das artes, cinéfila e fundadora do EntreLinha.

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