“Stranger Things”: um ode aos anos 70 e 80

“Stranger Things”, a nova produção original do Netflix, criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, é uma série ambientada em 1983 da qual gostei muito. A história se passa numa pequena cidade no interior de Indiana, nos Estados Unidos, que após o desaparecimento de um garoto, Will Byers, outros estranhos eventos passam a desencadear na trama.

Algo bem interessante é que os diretores realmente conseguiram trazer a essência de um período icônico para o universo de “Stranger Things”, um ode a década de 70, mas, principalmente, aos anos 80, perpassando pela literatura dos escritores Tolkien e Stephen King, cinema, jogos Dugeons & Dragons e o Atari. O clima de mistério, suspense, terror que rondam a série e a nostalgia são alguns de seus ingredientes.

É notório as referências cinematográficas, tanto da ficção científica quanto do cinema de terror, tais como, “Os Goonies” (1985), de Richard Donner; “Carrie, a estranha” (1976), de Brian De Palma, adaptação do livro de Stephen King; “O Iluminado” (1980), de Stanley Kubrick; “Poltergeister” (1982), de Steven Spielberg; “Conta Comigo” (1986), de Rob Relner, baseado no conto “The Body”, de Stephen King; “Alien” (1979 e de 1986), de Ridley Scott, “Viagens Alucinantes” (1980), de Ken Russel, e principalmente dos filmes “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “ET- O Extraterrestre” (1982), ambos de Steven Spielberg, criam a atmosfera da série.

Outro ponto a destacar é a trilha sonora composta por sintetizadores, criada pela dupla Michael Stein e Kylon Dixon, potencializando seu enredo. Há também um trabalho minucioso em relação ao cenário, caracterizado com detalhes do período em que se passa a trama e uma fotografia muito bem trabalhada que traz um ar melancólico a série.

Em relação a narrativa, ela segue os filmes do gênero; os acontecimentos que vão desenrolando estão atrelados ao fim da Guerra Fria. A abertura da série foi criada pela mesma produtora que desenvolveu para “Mad Man”, “Boardwalk Empire”, “Chuck”, entre outros, a Imaginary Forces. A tipografia usada no título é a ITC Benguiat, desenhada originalmente pelo norte-americano Ed Benguiat, “incorpora ângulos e curvas interessantes, com serifas fortemente ligadas, precisas e pontiagudas”, e faz referências aos próprios títulos dos livros do escritor Stephen King.

Confira um pouco do processo de criação da abertura (vídeo em inglês sem legenda):

Os diretores apostam num elenco que também se destaca e, ao mesmo tempo, tem o mesmo peso, como ótima atriz Winona Ryder, que interpreta a personagem Joyce, mãe de Will Byers (Noah Schnapp) e Jonathan (Charlie Heaton), o filho mais velho. Os amigos inseparáveis de Will, o Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), que é o cético, Mike (Finn Wolfhard), o líder do grupo,  e o cômico Dustin, vivido pelo ator Gaten Matarazzo. 

Na trama há também o chefe de polícia Jim Hopper (David Harbour), da pacata cidade de HawKins, a jovem Nancy Wheller,  irmã mais velha de Mike, o Dr. Martin Brenner, que está envolvido como projeto MKUltra da Cia, e Eleven (Millie Bobby Brow), uma garota misteriosa e cobaia dos experimentos de Brenner, que compõem o elenco principal da história que realmente vale a pena ser conferida.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.

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