“We Are One”: as relações humanas e suas dualidades

Pelo segundo ano consecutivo, visito a Itinerância do Festival de Arte Contemporâneo Sesc_Video Brasil. É um evento que traz um recorte da 18ª edição, no qual expõem trabalhos de artistas nacionais e internacionais premiados. 

Dentre os trabalhos artísticos, um dos que achei interessante e, ao mesmo tempo, causou certa estranheza e incomodo, a primeiro momento, foi o vídeo “We Are One”, do africano LucFosther Diop. O vídeo nada mais é que uma imagem da mão do próprio Diop, mas que nas entrelinhas traz em si forte carga de significados e metáforas.

É importante ter em mente que LucFosther Diop traz em sua arte fortes questionamentos sociais, tais como, racismo, injustiças, política e a violência, expressadas sempre de forma poética. 

Sem som, apenas cores, à medida que o artista vai movimentando os dedos, ele cria uma espécie de diálogo. Mas a intensidade da interação entre os seus dedos vai se alterando, de suave para mais intensa, posteriormente, estende-a ao mundo. Esse ato de interação representa o questionamento de Diop em relação à natureza das tensões nos relacionamentos sociais humanos e sua dualidade, expressa de forma poética e metafórica. 

Segundo o artista, “as metáforas por traz dos movimentos das mãos sugerem que, para reinventar o humanismo, precisamos trazê-lo de forma horizontal e cotidiana para a nossa vida social, cultural e política”.

Através de sua arte, LucFosther Diop também busca expressar o impacto e as influências da dominação neocolonialista e imperialista no mundo, mas principalmente, no continente africano. Além disso, procura um ponto de equilíbrio e força para sobreviver num mundo asfixiante. 

Confira o vídeo:

 

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e cofundadora do EntreLinha. É cinéfila, amante das artes e da literatura.