Entre o tapete vermelho, o brilho das estrelas e o glamour da festa mais badalado do cinema, o Oscar sempre acaba surpreendendo os espectadores. Não só no quesito prêmio, mas também por aqueles momentos marcantes.
O Oscar 2015 foi além da premiação e se destacou pelos intensos discursos pautados na defesa dos direitos humanos. Ponto que considero importante ressaltar, já que a arte tem um papel importante no processo de formação do homem e da sociedade em que está inserido.
Os assuntos abordados nos filmes indicados ao Oscar suscitam várias discussões e reflexões sobre questões contemporâneas. Durante a cerimônia, alguns artistas aproveitaram os holofotes e sua influência para expor temas políticos que esquentaram o evento.
A atriz Patrícia Arquette, que deu um show de interpretação em “Boyhood: da infância a adolescência”, premiada como Melhor Atriz Coadjuvante (merecidíssimo), exigiu direitos iguais às mulheres e pagamentos igualitárias nos Estados Unidos, no qual foi aplaudida de pé.
"(…) mesmo que às vezes nós acreditemos que aqui nos Estados Unidos os direitos sejam iguais, sob a superfície há muitas questões em jogo que afetam as mulheres".
A questão passou a ganhar mais força após o vazamento de informações de executivos da Sony, no qual foi revelavado que as atrizes Jennifer Lawrence e Amy Adams, do filme “Trapaça”, haviam recebido porcentagens menores da bilheteria comparado aos atores do sexo masculino.
A luta pelos direitos da mulher não ficou por ai. A campanha feminista #AskHerMore, que despontou no Emmy Awards 2014, reaparece no Oscar 2015 com o apoio de Reese Witherspoon.
Horas antes da esperada premiação, Witherspoon, que concorria ao Oscar de Melhor Atriz por “Livre”, falou rapidamente sobre a dificuldade de ser mulher em Hollywood e ainda pediu aos apresentadores que fizessem perguntas mais interessantes e elaboradas, pois “somos mais que nossos vestidos”.
Julianne Moore, premiada como Melhor Atriz de Filme Dramático, na 72 ª edição do Globo de Ouro pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, se consagra no Oscar 2015. Embora o reconhecimento pela Academia tenha demorado a chegar, a atriz finalmente conquista prêmio de Melhor Atriz por “Para Sempre Alice”, dos diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland.
Após ter interpretado Alice Howland, uma professora de linguística renomada que é diagnosticada com Alzheimer, Moore parece ter se transformado numa porta voz sobre a discussão da doença que atinge cerca de 35 milhões de pessoas no mundo.
Em meio a comemoração, a atriz deixar seu recado:
"Estou muito feliz – emocionada, na verdade – que tenhamos sido capazes de quem sabe brilhar uma luz sobre a doença de Alzheimer. Tantas pessoas com essa doença se sentem isoladas e marginalizadas, e uma das coisas maravilhosas sobre o cinema é que ele nos faz sentir vistos, e não sozinhos. E as pessoas com Alzheimer merecem ser vistas, para que possamos encontrar uma cura".
Ao ser anunciado a Melhor Canção Original, os músicos John Legend e o Common, premiados por “Glory”, do filme “Selma”, que conta de luta do movimento negro liderado pelo mítico Martin Luther King Jr, também fizeram o público se emocionar.
A poderosa canção “Glory” (clique aqui para ouvir) e os discursos bem colocados dos músicos levaram muita gente às lágrimas. Ambos não pouparam palavras ao defender os direitos igualitários para mulheres, homoafetivos, negros, brancos, etc.
Embora a luta de King tenha ocorrido há 50 anos, quando olhamos para o mundo que nos cerca vemos que ainda existe injustiças, ainda existe “Selma”. Hoje não há mais King, apenas seus feitos que inspiram, dão forças para lutar e nos brinda com a esperança de mundo mais justo e digno.
PREMIADOS AO OSCAR 2015
- “Birdman”: Melhor Filme, Melhor Diretor (Alejandro González Inárritu), Melhor Fotografia (Emmanuel Lubezki), Melhor Roteiro Original (Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo);
- “O Grande Hotel Budapeste”: Melhor Figurino (Milena Cananore), Melhor Maquiagem e Cabelo (Frances Hannon e Mark Coulier), Melhor Trilha Sonora (Alexandre Desplat), Melhor Design de Produção (Adam Stockhausen e Anna Pinnock),
- “Boyhood”: Melhor Atriz Coadjuvante (Patrícia Arquette);
- “Selma”: Melhor Canção Original (Glory – John Legend e Common);
- “O Jogo da Imitação”: Melhor Roteiro Adaptado (Graham Moore);
- “A Teoria de Tudo”: Melhor Ator (Eddie Redmayne);
- “Whiplash”: Melhor Ator Coadjuvante (J.K. Simmons), Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som
- “Sniper American”: Melhor Edição de Som (Alan Robert Murray, Bub Asman);
- Interestelar: Melhores Efeitos Visuais
- “Para Sempre Alice”: Melhor Atriz (Julianne Moore);
- “Ida”: Melhor Filme Estrangeiro;
- “Operação Big Hero 6”: Melhor Animação;
- “Citizenfour”: Melhor Documentário;
- “Crisis Hotline: Veterans Press1”: Melhor Documentário em Curta-Metragem;
- Feast: Melhor Animação em Curta-Metragem;
- “The Phone Call”: Melhor Curta-Metragem




