Cinema: a caixa da caravana mágica

“Através deste buraco de agulha, passa toda a caravana mágica,

 fazendo contrabando do ópio que é o mundo irreal”.

(Edgar Morin, "Le Cinéma ou L'Homme Imaginaire")

 

Desde o seu surgimento, o cinema, palavra que vem do grego kinera significa “movimento”, é uma caixa mágica que exerce no espectador/receptor um grande poder de persuasão, fascínio e até influencia em seu comportamento.

Esse poder ocorre devido “a manifestação de processos internos do inconsciente do espectador" e pela influência dos aparatos decorrentes da ferramenta física, como, por exemplo, a projeção e a tela.

Quando paramos para pensar e refletir o cinema e olhá-lo de maneira mais atenta, vemos que é “um grande criador de magia: um espelho da verdade, um sonhador de sonhos, um operador de milagres”, como mesmo diz Dondis em sua obra “Sintaxe da Linguagem Visual.

Segundo o diretor Jean Tédesco, que dirigiu o filme “La petite marchande d'allumettes” (A pequena vendedora de fósforo) com Jean Renoir, "as imagens em movimento foram especialmente inventadas para nos permitir visualizar os nossos sonhos".

O cinema não deixa se de ser uma forma de sonho, pois chega a iludir o indivíduo a um ponto de acreditar que o que vê em um filme (realidade virtual) seja algo real, mas que de fato não é.  

O cinema é um “sonhar acordado”. Uma suspensão da realidade numa dimensão onírica.