A televisão já faz parte do cotidiano das crianças e adultos. Os programas direcionados ao público infantil e infanto-juvenil, que tinha uma linha lúdico-pedagógica no entretenimento, só despontou a partir do programa americano Sésame Street, na década de 70, que foi considerada pioneira nesse segmento.
No Brasil, também foi absorvido esse novo formato. Dela veio a versão brasileira Vila Sésamo (1972-1977), que trazia a mesma linha educativa/entretenimento, realizada em pareceria entre a TV Cultura e a Rede Globo, na qual ambas exibiram a série em suas respectivas grades de programação.
Seguindo o mesmo princípio, outros programas interessantes surgiram como, o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, inspirados no livro de Monteiro Lobato, que teve 3 versões, sendo uma exibida da década de 50 pela TV Tupi, outra nos anos 70 em formato de telenovela pela Rede Globo. Devido o grande sucesso, ela foi reprisada nos de 1980 e 90, mas em 2001 a emissora apresenta uma nova versão. Pela TV Cultura, por exemplo, tem o “Ra-Tim-Bum”, “Mundo da Lua”, “Castelo Ra-Tim-Bum”, entre outros que se destacaram na TV brasileira. Período muito rico que tem inspirado até hoje novas produções que trazem essa qualidade de conteúdo. O educativo como entretenimento.
Na década de 90, a série infanto-juvenil brasileira “Mundo da Lua”, criada e roteirizada por Flávio de Souza, um dos autores do programa “Ra-Tim-Bum”, fez parte da infância de muita gente. A série narra à história de um garoto chamado Lucas Silva e Silva (Luciano de Amaral) que ganha de seu avô paterno, o Orlando (Gianfrancesco Guarnieri), um gravador.
A partir das situações cotidianas e a passagem da infância para adolescência, pautadas nos 52 episódios exibidos, na qual criava uma identificação imediata com o público da série, Lucas, ao apertar o botão de seu gravador e pronunciar a famosa frase “Esta é mais uma edição do diário de bordo de Lucas Silva e Silva, diretamente do mundo da lua, onde tudo pode acontecer….”, acessava outro universo, o imaginário.
Como diz o professor da CCA ECA-USP Ismar de Oliveira Soares, é pelo olhar que a “criança alimenta sua fantasia. (…), por sua vez, recebe e registra imaginariamente o mundo através da lógica que o psiquismo conhece: a lógica dos sonhos”. É através dessa “porta mágica” que ela acessa os subtextos presentes na narrativa da série, na qual se apropria do que interessa e reconstrói, a sua maneira, a história a partir da sua vivência, fantasia e seu imaginário.

