“Curtindo a vida adoidado” completou 30 anos

“A vida passa muito depressa. Se você não parar
de vez em quando para aproveitá-la, você pode perdê-la”.

(Ferris Bueller)

 

O clássico teen movies dos anos 80, o filme “Curtindo a vida adoidado” (1986), do cineasta e roteirista John Hughes, que marcou uma geração e reprisado dezenas de vezes nas “Sessões da Tarde”, pela Rede Globo, completou 30 anos no dia 11 de junho.

O filme narra às aventuras de Ferris Bueller, um adolescente de 17 anos, carismático, interpretado pelo ator Matthew Broderick, que resolve matar aula e curtir a vida por um dia. Para isso, arquiteta um plano: finge para os pais está gravemente doente. 

À medida que a notícia sobre sua suposta doença chega aos ouvidos dos colegas do colégio e professores, todos se solidarizam. Os pais passam o dia todo preocupados com ele, ligando para saber como está. A irmã, Jeanie Bueller (Jennifer Grey), não engole a história. Com ciúmes e cansada dele sempre ser o centro das atenções e se safar de todas as situações, tenta desmascará-lo a todo custo.

Quando o diretor da escola de Ferris, Ed Rooney (Jeffrey Jones), que já estava em seu encalço, só esperando o momento certo para pegá-lo no pulo, é notificado que Ferris faltou novamente, vê sua chance de acabar de vez com a farsa do jovem.

Nesse meio tempo, na companhia da sua namorada Sloane Peterson, vivida pela atriz Mia Sara, em que a tira da escola, e do seu melhor amigo e hipocondríaco, Cameron Frye, interpretado pelo ator Alan Ruck, é obrigado a se aventurar com eles num passeio em Chicago, na Ferrari 250 GT Califórnia ano 1961, da coleção do pai de Cameron.

Ferris, a todo o momento, vai quebrando as regras sociais sem apresentar qualquer dilema de consciência. Ao olhar mais atentamente, o longa-metragem "Curtindo a vida adoidado” traz, de forma simbólica, os pensamentos do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). 

Para o filósofo, “a moral (obedecer ao sistema) é o caminho mais fácil de ser trilhado, é confortável traçar este caminho e subtrair a plena visão autêntica da vida". O mundo “não é ordem e racionalidade, mas desordem e irracionalidade. A única e verdadeira realidade sem máscaras, para Nietzsche, é a vida humana tomada e corroborada pela vivência do instante".

Ao logo do filme, há a quebra da quarta parede (a parede imaginária), teoria que veio do teatro épico, do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956), muito aplicada no cinema, em que Ferris dialoga a todo o momento com o espectador, compartilhando suas experiências e, principalmente,  tornando-o cúmplice de suas aventuras.

A trilha sonora de “Curtindo a vida adoidado” conta com grandes clássicos, como “Love Missile F1-11″, do Sigue Sigue Sputnik, “BAD”, do Big Audio Dynamite, “Oh Yeah”, do Yello e, principalmente a “Twist And Shout”, dos Beatles, que marca uma das cenas do filme.

Para celebrar seus 30 anos, o filme ganha uma adaptação para a literatura pelas mãos do escritor americano Todd Strasser, lançado no Brasil pela editora Gutenberg. O mesmo autor que inspirou o cineasta alemão Dennis Gransel a produzir o filme que traz o mesmo título do seu livro, “A Onda”, que aproveito para deixar a minha recomendação, tanto a obra literária quanto a cinematográfica, que são ótimas.  

 

 

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.