“E Agora Invadimos O Quê?”

Este documentário do Michael Moore, diretor de "Tiros em Columbine" e muitos outros documentários que considero obrigatórios, me chamou a atenção pelo título e inferi ele falaria da política expansionista e belicista dos Estados Unidos. Nem li a sinopse e já fui assistir.

"Quem Vamos Invadir Agora" (2016) é um documentário, de fato, mas não tem relação com invasões americanas. Também não tem relação com o filme "Doce Novembro", mas senti vontade chorar também…

O filme faz um passeio por países como Itália, França e Finlândia, e fala com pessoas comuns como trabalhadores, estudantes e professores. É um relato um tanto que superficial sobre essas culturas. Superficial mas aborda temas que deveriam ser os mais importantes, como o bem-estar, saúde e educação. Trabalho? Sim, mas visto como forma de se conseguir o bem-estar, saúde e educação.

Michael Moore sempre apresenta a versão norte-americana para contrastar com os temas abordados nestes países e a reação das pessoas: "Como assim o americano comum não tem férias pagas?" "O que é isso que oferecem às crianças na escola?" "Isso não é comida! Isso não é alimento. E nem se parece com isso". "Nossas crianças (na Finlândia) não aprendem que podem ser o que quiserem quando crescerem. Elas procuram saber o que gostam e vão se desenvolvendo, sendo o que elas querem e podem já na infância". Esses são alguns dos diálogos do documentário, traduzidos livremente.

Lá no início eu mencionei a vontade de chorar. Justifico.

Os italianos acham um absurdo ter só 4 semanas de férias no ano; os franceses discutem com chefs de cozinha sobre o sabor, aparência e valor nutricional da merenda; no ensino fundamental têm educação sexual para as crianças; a Finlândia expande o ensino para a formação de cidadãos com conhecimento para uma sociedade pacífica e altamente desenvolvida, tecnológica e socialmente; as empresas alemãs são proibidas por lei de contactar seus colaboradores enquanto estão em férias; diretores de empresas italianas são contra a retirada de benefícios pois, pensam no bem-estar dos colaboradores.

Aqui, no Brasil, temos reduções de investimento em saúde e educação; a vereadora mais votada de uma das maiores cidades do Brasil fala com orgulho que ainda é submissa ao homem; me arrisco a dizer que milhões de pessoas preferem viver sob um regime ditatorial; estranhamente brasileiros, muitas vezes estereotipados como vagabundos, optam pelo fim de benefícios trabalhistas e aumento das jornadas de trabalho; se um colaborador se recusar a trabalhar fora do expediente, a empresa pode penalizá-lo, mas pior, o senso comum o considera um vagabundo.

Uma parte que destaco, que considero relevante para nós, é que na frente de muitas casas alemãs onde moravam judeus e outros que foram executados, há placas identificando seus antigos donos. É uma maneira de não esquecer os erros do passado, para não cometê-los de novo. Aqui temos rodovias, ruas e monumentos com nomes de ditadores homenageados.

Assistam! Deveria ser passado em cadeia nacional. Além de informativo e relevante, é divertido. Mesmo que dê vontade de chorar. Ou sei lá. Posso estar ficando sensível…

Lívio Sakai

Sou como um carro não muito velho, mas com 500.000 km marcados no odômetro.