Nada melhor que um pouco de arte e cultura para quem tem fome de conhecimento. E o melhor, pode ser consumido sem moderação.
Sempre famintos, o EntreLinha Blog foi conhecer de perto um pouco mais sobre o movimento cultural hip hop através da Ong Hip Hop Social Clube de Americana, no interior do Estado de São Paulo, que, ao contrário do que pensam muitos leigos no assunto, vai muito além da música e do estilo de vestir.
O presidente da Ong Hip Hop Social Clube de Americana, Júlio Cesar, mais conhecido como Gagho, vê essa cultura “não somente como uma manifestação artística urbana”, mas define “como uma arte espiritual que traz coisas boas as pessoas, afinal, estamos em constante evolução”, aponta Gagho.
O hip hop – termo que significa literalmente “pular e requebrar” – surgiu nos subúrbios de Nova York e de Chicago, nos Estados Unidos, na década de 70, com o intuito de minimizar e canalizar a violência decorrente das disputas e guerras entre gangues nas ruas.
Assim, um grupo passa a organizar encontros pacíficos, em que as disputas e indiferenças deveriam ser resolvidas por meio da dança, conhecida como break, e pela grafitagem – antes empregada para demarcar território, agora como forma de arte. A partir daí, a cultura hip hop ganha corpo e forma, passa a ser alicerçada pelas seguintes manifestações artísticas: graffiti, b.boy, DJ e o MC.
Dos subúrbios dos Estados Unidos para o mundo. No Brasil, quando despontou o hip hop, jovens das periferias das grandes capitais se utilizaram desse meio para que suas vozes fossem ecoadas e ouvidas, no qual colocavam em discussão as questões, tais como, a miséria, discriminação e a exclusão social.
A cultura hip hop, vai além do que vemos. Ela busca instruir, conscientizar, humanizar, promover, reivindicar pelos seus direitos, além de respeitar o próximo. “Exerço minha cidadania através desta arte. É através da música, dança, graffiti ou discotecagem, as pessoas se comunicam e deixam suas marcas nas vidas de outras pessoas, contribuindo para seu bem estar, reflexão e questionamentos”, afirma Ghago.
No dia 29 de março, a Ong Hip Hop Social Clube celebrou 2 anos de fundação. Gagho relembra os anos de luta: “não foi nada fácil , assim como toda cultura em movimento estamos em constantes mudanças, precisamos é não parar de lutar e estudar. Adotamos uma frente coletiva, onde ‘Eu Ajudo Nós’ nada mais é que estou me ajudando a ser melhor comigo mesmo. Para se chegar onde estamos hoje, passamos por diversos obstáculos, mas temos uma energia positiva. Nesta estrada nunca estávamos sozinhos, o segredo é trabalhar no plural e ser positivo. Criamos uma família, então estamos cuidando dela, passo a passo.”
Neste ano, Hip Hop em Americana é marcado por um avanço muito significativo, em que é aprovada uma lei onde oficializa o dia 12 de novembro como data da celebração da Semana Municipal da Cultura Hip Hop.
O projeto piloto, executado no ano passado nas escolas públicas, segundo o atual presidente da Ong Hip Hop Social Clube, Paulo Roberto, tem como intuito gerar discussões e reflexões sobre o assunto, oferecer oficinas, tais como, de dança, graffiti, rap, artes plásticas, levando a cultura em locais que tem pouco acesso a ela, além trabalha a questão social nas periferias da cidade de Americana.
“A cidade ganha muito com isso, pois são por esses motivos que atuamos no segmento ate os dias de hoje, precisamos buscar mecanismo para estabelecermos nossas diretrizes e demandas para que possamos ser todos atendidos pelo poder público e dar esta devolutiva para a sociedade através de nossas ações artística” – complementa Gagho, o ex-presidente da Ong.
A Ong Hip Hop Social Clube, em parceria com o MPA Studio, lançará, em breve, um documentário que abordará sobre a história do Hip Hop em Americana. Segundo Gagho, já foram descobertos vários fatos curiosos a respeito da formação da Cultura Hip Hop.
“Estamos conversando com ícones dos anos 80 e 90 na cidade, pessoas que através do Hip Hop formaram famílias hoje, pegamos o bonde andando em 1996, portanto nesta terra já havia muitos Hip Hopers produzindo arte, temos este total respeito em se contar a história correta do movimento. Devo muito a eles que nos ensinaram a ser o que somos hoje nas rodas de Breaking ou em cima dos palcos e pintando os muros. O projeto abordara este tema ‘Nossa História’ esperamos poder terminar o mais breve possível e poder contar nossa trajetória em Americana e no mundo. (…) temos uma equipe competente e séria para tratar das tarefas. Agradeço muito, pois sem o MPA Studio este projeto não seria possível. Quero poder contar esta história a meus netos e eles saberem o que fazer com tudo isso La na frente”, afirma Gagho.
Para conhecer mais sobre a cultura Hip Hop,você pode entrar em contato aqui.
Viva a cultura. Viva a arte.
Fotos cedidas pelo MPA Studio.




