Cannes 2015: a vitrine do cinema mundial

 

A 68ª edição do Festival de Cannes, que ocorreu entre os dias 13 a 24 de maio, na França, foi a grande vitrine cinematográfica. O Festival apresentou produções muito interessantes vindas de várias partes do mundo.

A abertura do Festival surpreendeu o público com a exibição do longa-metragem francês “La Tête em Haut”, da cineasta francesa Emmanuelle Bercot, pois é a primeira vez após 30 anos, depois do filme da cineasta Diane Kurvs, em 1987, que se tem uma produção dirigida por uma mulher abrindo um dos mais importantes eventos do cinema. 

“La Tête en Haut” (Com a Cabeça nas Alturas), da cineasta e atriz francesa Emmanuelle Bercot, conta a história de uma juíza que tenta salvar um jovem do crime, inclusive, ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz no filme “Mon Roi”, do diretor Maïwenn Besco, no qual divide a premiação com a americana Rooney Mara, do filme "Carol".

O prêmio de melhor ator deste ano foi para o ator francês Vicent Lindon pelo papel no filme “La Loi du Marché" (A Lei do Mercado), do diretor Stéphane Brizé. O ator também atuou nos filmes “Augustine”(2012), “O Diário de Uma Camareira”(2015), que recomendo assistir, entre outros.  

O drama “Saul Fia”, do cineasta húngaro Laszlo Nemes, tem como temática o Holocausto. A trama se desenrola com a descoberta de um prisioneiro sobre a morte do filho nas câmeras de gás que tenta enterrá-lo de acordo com os costumes judeus. O filme recebe o Grande Prêmio do Festival de Cannes.

O novo filme do polêmico cineasta franco- argentino Gaspar Noé, “Love”, uma coprodução Brasil/EUA/França, que conta a história de um triângulo amoroso em que o amor é explorado de forma mais carnal, causou burburinho no Festival.

Caso ainda não conheça a filmografia de Noé, o diretor trabalha com temáticas, tais como, sexo, violência e vingança. Um filme bem interessante dele é o “Enter the Void” (Viagem Alucinante), em que o protagonista, bem como o espectador, é levado a uma viagem psicodélica que, inclusive, foi premiado em Festivais.

“El Patota” (Paulina), do cineasta argentino Santiago e produzida pelo diretor brasileiro Walter Salles, de “Central do Brasil”, é uma refilmagem do filme de mesmo titulo, exibida em 1960, de Daniel Tinayre.

Esse suspense argentino conta a história de uma jovem idealista chamada Paulina, que deixa para traz uma carreira promissora para trabalhar como professora entre a fronteira Argentina, Paraguai e Brasil, no qual é estuprada por alguns de seus alunos. O longa-metragem foi vencedor do prêmio principal da Semaine de la Critique do Festival de Cannes 2015.

O Festival surpreende mais uma vez, eu explico o porque. O longa-metragem “Dheepan”, do cineasta francês Jacques Audiard, que narra a história de um ex-guerrilheiro que desembarca na França com passaporte falso, na companhia de uma jovem e uma criança, ambas desconhecidas, não se encontrava na lista dos favoritos ao prêmio mais cobiçado do Festival do Cannes, a Palma de Ouro.

A trama gira em torno dessa “falsa família”, que tem como protagonistas o ator Jesuthasan Antonythasan e as atrizes Claudine Vinasithamby e Kalieaswari. O interessante é que a obra consegue conquistar os jurados, mesmo não tendo muitos fatores ao seu favor, e levar o maior prêmio do Festival. 

Confira outros filmes premiados no Cannes 2015:

MOSTRA UM CERTAIN REGARD

Melhor Filme: “Hrútar”, de Grímur Hákonarson

Prêmio do Júri: “Zvizdan”, de Dalibor Matanic

Melhor Diretor: Kiyoshi Kurosawa, do filme “Journey to the Shore”

Prêmio Um Certo Talento: “Comoara”, de Corneliu Porumboiu

Revelação: “Masaan”, de Neeraj Ghaywan

                  “Nahid”, de Ida Panahandeh

 

JÚRI DA CRÍTICA

Mostra Competitiva: “Saul Fia”

Mostra Un Certain Regard: “Masaan”, de Neeraj Ghaywan

Semana da Crítica / Quinzena dos Realizadores: “Paulina”, de Santiago Mitre

 

QUINZENA DOS REALIZADORES

Prêmio Art Cinema: “El Abrazo de la Serpiente”, de Ciro Guerra

Prêmio SACD: “Trois Souvenirs de Ma Jeunesse”, de Arnaud Desplechin

Prêmio Europa Cinemas: “Mustang”, de Deniz Gamze Ergüven

Melhor Curta-metragem: “Rate Me”

Menção Especial – Curta-metragem: “The Exquisite Corpus” 

 

JÚRI ECUMÊNICO

Melhor Filme: “Mia Madre”, de Nanni Moretti

Menção Honrosa: “La Loi du Marché”, de Stéphane Brizé

                            "Taklub”, de Brillante Mendoza

PALM DOG

 “As Mil e uma Noites – Volume 2, O Desolado”, de Miguel Gomes, para Luck, o poodle maltês espanhol.  

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.