As etiquetas não dizem toda a verdade

Muito tem se falado a respeito da real importância de saber a origem dos produtos que consumimos em nosso cotidiano, as roupas, por exemplo, também não poderia ser diferente.

Em relação ao vestuário, há pouco tempo rolou na internet a notícia de que um reality show norueguês havia levado blogueiros do segmento de moda a conhecer de perto o que há por trás das fábricas têxteis asiáticas, com o intuito de conscientizar os consumidores desavisados.

Durante um mês, esses jovens acompanharam a vida de um trabalhador numa fábrica têxtil na Ásia. O resultado dessa experiência, você pode imaginar, gerou grande impacto nos participantes, e com certeza, no próprio público que teve a oportunidade de conferir.

Veja o vídeo: 

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O "Sweatshop – Moda Mortal" mostra a realidade, nua e crua, do que realmente acontece nos bastidores de uma fábrica em que  (confira aqui os episódios completo) há presença do trabalho escravo e, com isso, a proposta do programa é conscientizar os consumidores. Agora imagine se as roupas trouxessem consigo a sua verdadeira história? 

Pois bem, a ONG Canadian Fair Trade Network, em parceria com a agência Rethink Canadá, mostra através de anúncios impressos como seria a situação se a verdadeira história do que realmente acontece com muitos trabalhadores de fábricas têxteis, seja ela, no Camboja, Bangladesh, Brasil ou em qualquer parte do mundo, fossem expostas nas etiquetas ao invés das informações que já conhecemos.

Os anúncios desenvolvidos trazem, em cada peça, um cenário devastador e cruel que a indústria da moda pode ocasionar na vida das pessoas. Confira:

Texto da etiqueta: Feito no Camboja por Behnly, 9 anos. Ele acorda às 5 horas todos os dias para ir até a fábrica de roupas onde trabalha. Estará escuro quando ele chegar lá e quando ele sair de lá também. Ele usa roupas leves porque a temperatura na sala onde trabalha pode chegar a 30 graus. A poeira da sala enche as narinas e a boca dele. Ele vai ganhar menos de um dólar em um dia que passa de forma sufocantemente devagar. Uma máscara custaria dez centavos à empresa.

Texto da etiqueta: Feito em Bangladesh por Joya, que deixou a escola aos 12 anos de idade para ajudar a manter seus dois irmãos e sua mãe, que acabara de perder o marido. O pai dela foi morto quando a fábrica de algodão em que ele trabalhava pegou fogo. Joya hoje trabalha no prédio do outro lado da rua do prédio que pegou fogo, uma lembrança constante do risco que ela corre todos os dias. A etiqueta não conta toda a história.

 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.