Cannes 2015: a mulher no cinema

 

Uma das maiores estrelas do cinema, a atriz sueca Ingrid Bergman, que completaria 100 anos no mês de agosto, é a grande homenageada na 68ª edição do Festival de Cannes.

A atriz atuou em vários filmes dirigidos por grandes cineastas, tais como, “Casablanca” (1942), de Michael Curtz, “Quando Fala o Coração” (1945), de Alfred Hitchcock, “À Meia Luz”, de George Cukor, em que ganhou o primeiro Oscar de Melhor Atriz; “Assassinato no Expresso Oriente” (1945), de Sidney Lumet, Bergman recebe o Oscar de Atriz Coadjuvante; “Anastásia, A Princesa Esquecida” (1956), de Anatole Litvk, que concedeu o segundo Oscar de Melhor Atriz; Sonata de Outono (1978), de Ingmar Bergman, entre outras obras cinematográficas que marcaram a história do cinema.

A eterna Ingrid Bergman também é homenageada com o documentário “In Her Own Words”, do cineasta sueco Stig Björkman, que mostra tanto a vida pessoal quanto profissional através do rico acervo da atriz e entrevistas, exibido no Festival.

Além do merecidíssimo tributo à Bergman, vemos também outro assunto sob os holofotes no Festival do Cannes 2015: a discussão em torno da escassez de mulheres cineastas, a luta para conquistar um lugar ao sol e pelos direitos iguais dentro da indústria do cinema. No entanto, essas questões vêm sendo discutidas há anos e tem se repercutido cada vez mais, inclusive, no Oscar 2015, que foi marcado pelo discurso histórico de Patrícia Arquette, atriz premiada no Oscar 2015 como Melhor Atriz Coadjuvante (veja mais aqui).

Durante o encontro promovido pela Revista Variety, em parceria com a UN Women da ONU, a atriz e produtora Salma Hayek rasga o verbo em relação ao assunto. “O cinema subestima a inteligência das mulheres há muito tempo. Os estúdios continuam achando que a gente só quer ver comédia romântica. Por que as mulheres pararam de ir ao cinema e começaram a ver TV? Porque a TV parou para nos escutar. E ainda assim Hollywood não usa um caso como o de 'Sex and the City' para fazer mais filmes nessa linha".

A sua crítica não ficou por aí, Hayek completou ao mencionar em relação aos cachês pagos para os atores, sempre mais altos. “O único lugar onde a mulher ganha mais do que o homem é no cinema pornô". Segundo estudo realizado pela ONU Mulheres, Geena Davis Institute e Fundação Rockefeller, a indústria cinematográfica mundial perpetua a discriminação da mulher.

Outro ponto levantado é a mulher na direção. Um bom exemplo disso é o filme francês “La Tête em Haut”, da atriz e cineasta francesa Emmanuelle Bercot, que me chamou atenção e, com certeza do público, pelo fato de após 30 anos, uma mulher abre o Festival de Cannes.

As novidades não ficam por aí. Outro filme é o “A Tale of Love and Darkness” (Uma História de Amor e Escuridão), dirigido pela atriz e estreante diretora e co-roteirista Natalie Portman, baseado no livro autobiográfico do escritor israelense Amós Oz.

No estudo, citado anteriormente, aponta que, quando o filme há mulheres na direção ou é a autora da obra, o numero de personagens femininos apresentam um aumento significativo. 

Embora a atuação feminina atrás das câmeras seja tímida por falta de espaço, tenho esperança que esse cenário seja muito melhor daqui alguns anos e que possamos ver mais produções dirigidas por mulheres, como a cineastas Sofia Coppola (“Encontros e Desencontros”, Kthryn Bigelow (“Guerra ao Terror”, “A Hora mais Escura”), Lynne Ransay (“Precisamos Falar Sobre Kevin”), Agnieszka Holland (“Filhos da Guerra”, Colheita Amarga, entre outros), Agnès Varda (“As praias de Agnès”, “Os Catadores e Eu”, etc.).

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.