O cineasta americano Quentin Tarantino dá um show à parte em “Os Oitos Odiados”, que traz novamente a brilhante atuação de Samuel L. Jackson, juntamente com um elenco escolhido a dedo.
Tarantino, após estrear no gênero faroeste em “Django Livre” ao trazer, pela primeira vez no cinema, um Western Spaghetti através do olhar de um escravo, retoma ao estilo em “Os Oitos Odiados”. Filme que discute, de forma bem afiada, crítica mordaz e com seu velho e bom humor negro, sobre os conflitos raciais e a supremacia branca na sociedade norte-americana. Alegorias com debates bem contemporâneos.
Dividido em capítulos, a história se passa alguns anos após a Guerra Civil americana, narra sobre os caçadores de recompensas John Ruth (Kurt Russel), mas conhecido com “O Enforcador”, e o Major Maquis Warren, interpretado por Samuel L. Jackson, que tentam chegar à Red Rock para receber o dinheiro por cada prisioneiro que levam. No entanto, um ainda se mantém viva, a Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que será enforcada quando chegar ao destino. No caminho, encontra Chris Mannix (Walton Goggins), um homem que diz ser o novo xerife de Red Rock, na qual acabam dando uma carona. Surpreendidos por uma forte nevasca, o grupo resolve parar na hospedaria da Minnie.
Confinados no mesmo local com mais quatros homens: Oswaldo Mobray (Tim Roth), Joe Gage (Michael Madsen), Bob (Demian Bichir) e o general Sandy Smithers (Bruce Dern), em que traz uma atmosfera claustrofóbica, vemos a tensão ocorrer de forma crescente conforme vai desenrolando a trama.
Em “Os Oitos Odiados, o cineasta traz algo diferente em relação aos seus trabalhos anteriores, o mistério, que dá um tom instigante ao filme levando o espectador a desconfiar de todas as personagens, mas peca, a meu ver, ao explicar demais, em certo momento, alguns detalhes do filme.
O filme apresenta referências, tais como, “O Cidadão Kane” (1941), Orson Welles, “O Anjo Exterminador” (1962), do cineasta Buñuel, “No tempo das Diligências” (1939), de John Ford e, principalmente, do “O Enigma do Outro Mundo” (1982), John Carpenter, em que o próprio Kurt Russel atuou. Além de alguns enquadramentos usados pelo cineasta Sergio Leone.
Tarantino também referência um de seus próprios filmes, “Reservoir Dogs” (Cães de Aluguel), obra que consagrou o cineasta, na qual deixa explicito com a presença dos próprios atores que estavam no elenco: Michael Madson e Tim Roth.
O cineasta explora o formato 70mm, película que proporciona mais riquezas de detalhes e com mais e maiores frames do que a 35 mm. Além disso, a trilha sonora é separada da película. Além disso, em “Os Oito Odiados”, quem assina a trilha é o grande Ennio Morricone, compositor e músico italiano, premiado como Melhor Trilha Sonora no Globo de Ouro 2016
Com a bela direção de fotografia assinada por Robert Richardson e o ótimo trabalho de direção de arte, que enriquecem ainda mais o filme, Tarantino traz outra obra cinematográfica autoral, provocativa e polêmica.
