Renato Russo: um disco aberto e a todo volume

Embalada ao som de “Tempos perdidos”, do Legião Urbana, começo a escrever esse texto com o intuito de manter acesa a chama de um dos grandes poetas, compositor e cantor, Renato Russo (1960-1996), que sou muito fã.

Renato Russo tornou-se um “porta-voz” da juventude no período de transição entre a ditadura militar e abertura política brasileira. "Além da liderança implícita e da genialidade de fio terra da raça e parabólica de geração, Renato Russo deixa um legado de integridade artística à prova de bulas”.

Ele teve uma vida e carreira muito tumultuada marcada pela depressão, crises psicológicas, drogas e por uma homossexualidade assumida. Com sua música, carisma, simplicidade e influência, através da Banda Legião Urbana, ele marcou uma geração.

Quando nos atentamos e debruçamos sobre as letras de suas canções, é clara a genialidade de Renato Russo. Vemos que ele “esquadrinhou seus cantos pessoais mais ocultos com a sinceridade dos que põem a alma pela boca. Sua vida foi um disco aberto. E a todo volume."

Apesar de muitos de nós não tenhamos vivido isso, ele ainda se mantém vivo até hoje. Suas músicas ainda marcam a nossa vida de alguma forma. Quem nunca arranhou ou tocou suas músicas no violão na companhia dos amigos? Ou debateu sobre suas letras com temas tão atuais? Momentos únicos, mas que marcam e mantém vivo sua chama.

Muitos filmes foram lançados no ano passado sobre Renato Russo, como “Somos Tão Jovens” (2013), de Antônio Carlos Fontoura que, particularmente, considerei simplista pela grandeza e legado deixado pela pessoa que estava sendo retratada.

O longa-metragem contou com gravações de algumas cenas na Unicamp, incluindo o IA (Instituto de Artes) e a Biblioteca Central Cesar Lattes, que no filme é a Universidade de Brasília, pois há semelhanças em sua estrutura. 

Outro filme que também traz como temática o vocalista do Legião Urbana, “Eu Te Amo Renato” (2013), do diretor Fabiano Cafure, conta a história de amor entre três jovens, de forma poética ambientada na década de 90,  que tem como pano de fundo a efervescência do rock de Renato Russo. Além de contar com a trilha sonora da própria banda do Legião Urbana, Cazuza e Raul Seixas.

O filme chamou minha atenção por não ter tido medo de arriscar, pois foi desenvolvido exclusivamente para web. No entanto, peca em alguns pontos, como, por exemplo, o roteiro e a profundidade da história. Veja aqui o filme na íntegra. 

E não foi só no cinema que as canções de Renato Russo inspiraram não. Há dois filmes publicitários que deram vida ao famoso casal Eduardo e Mônica, música lançada na década de 80, sendo que um é da ATL Telecominicações, em 2000, e o outro é da Vivo, veiculado em junho de 2011. Sim, na época essa "coincidência" deu certo "probleminha", mas isso não vem ao caso. 

 Confira:

Fica aqui uma singela homenagem a esse grande cantor e compositor que ainda vive no coração dos fãs de todas as gerações. Viva Renato Russo. Viva a boa música brasileira. 

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.