“Samba”: a nova dobradinha de Toledano e Nakache

 

Após o grande sucesso do blockbuster do cinema francês “Intouchanles” (Os Intocáveis), lançado em 2011 pelos cineastas Éric Toledano e Oliver Nakache, é a vez de “Samba” conquistar o público.

A nova produção cinematográfica, dobradinha dos diretores, foi exibida no Festival Varilux de Cinema Francês, que ocorreu entre os dias 10 a 17 de junho. O público estava em peso na estreia do filme no festival, algo que me surpreendeu muito. Fiquei contente, pois o Festival sempre traz filmes excelentes para a mostra e é uma ótima oportunidade de ver produções que muitas vezes não chegam aos cinemas.

O longa-metragem “Samba”, que leva o nome do personagem principal da história, conta um recorte da vida de Samba Cissé, interpretado por Omar Sy – também atuou em “Os Intocáveis”, “As Espumas dos Dias”, “Dívida de Sangue”, “O Livro dos Recordes de Shutka", entre outros – um imigrante senegalês que está na França há 10 anos.

Imigra

Para poder trabalhar formalmente no país como cozinheiro chefe em um restaurante, proposta de contrato que surge depois de anos de trabalhando de “bicos”, Samba tenta acertar a sua situação, mas, no entanto, o tiro sai pela culatra, e acaba sendo preso no centro de detenção para imigrantes ilegais.

Nisso, no centro, ele conhece Alice, personagem vivida pela atriz veterana Charlotte Gainsbourg, executiva que está licença médica após crise de burnout – estresse do trabalho – que é voluntária numa ONG que auxilia a situação de imigrantes. 

Os cineastas levam às telas dos cinemas uma temática espinhosa, a imigração, trabalhada com leveza pela dupla, inspirada na obra literária titulada “Samba pour la France” (Samba para França), da escritora Delphine Coulin. 

O drama também apresenta a mesma pitada de humor vista em “Os intocáveis”, que fica por conta da atração proibida entre Alice e Samba, que sempre era alertada por a Manu (Izïa Higelin), devido a situação em que Samba se encontra.

O filme também conta com uma dose bem brasileira tanto na trilha, com a música contagiante “Take it easy my brother Charles”, de Jorge Ben, e “Palco”, de Gilberto Gil, quanto numa fala em português pronunciada pela Manu.

Além disso, o personagem Wilson, interpretado pelo ator Tahir Rahim, traz forte caricatura dos brasileiros, de forma proposital, daquele famoso “jeitinho brasileiro”, para poder escapar do departamento de imigração, e também no próprio nome do personagem principal.

Embora haja similaridade entre Driss, de “Os Intocáveis” e Samba Cissé, de “Samba”, o ator Omar Sy estabelecer um registro bem distinto e seu novo personagem.

Erica Ribeiro

Erica Ribeiro

Comunicóloga, escritora, cineasta e também jardineira. É cofundadora do Coletivo Pausa, cofundadora/editora-chefe do EntreLinha, uma cinéfila incorrigível, amante das artes e da literatura.