O longa-metragem “Gemma Bovary: A Vida Imita a Arte”, da cineasta francesa Anne Fontaine, exibido no Festival Varilux de Cinema Francês, que ocorreu entre os dias 10 a 17 de junho, leva o espectador a mergulhar numa gostosa viagem.
Como o próprio título já sugere, o filme é inspirado tanto no polêmico clássico da literatura estrangeira “Madame Bovary, obra-prima do escritor francês Gustave Flaubert, quanto na graphic novel “Gemma Bovary” – adaptação livre da obra -, de Posy Simmonds.
“Gemma Bovary: A Vida Imita a Arte" traz para as telas um dos meus atores favoritos, Fabrice Luchini, que estrelou nos filmes “As Mulheres do Sexto Andar”, do diretor Philippe Le Guay, “Dentro de Casa”, de François Ozon, entre outros.
No longa-metragem, Fabrice Luchini vive Martin, um homem de meia-idade que é apaixonado pelo livro “Madame Bovary”, obra-prima do escritor francês Gustave Flaubert. Após a morte de seu pai, ele resolve viver na vila da Normandia para tocar os negócios da família.
A mudança de ares, que a princípio trouxe paz e tranquilidade em sua vida, acaba com a chegada de um casal inglês, Gemma Bovary (Gemma Arterton) e seu marido Charles Bovary (Jason Flemyng).
O filme é narrado por Martin, que como um voyeur, passa observar o jovem casal que apresentava o mesmo comportamento e personalidade de Emma e Charles, personagens principais do livro.
Martin via a história de Flaubert desenrolar diante de seus olhos. Com o intuito de alterar final trágico que o autor dá ao livro, ele vai se envolvendo de tal forma nessa trama ao ponto dele não conseguir mais distinguir o que é realidade e o que é ficção.
Em “Gemma Bovary: A Vida Imita a Arte”, o que pecou, a meu ver, o descuido na construção das personagens que compõe o enredo do filme. A impressão que esse cuidado se ateve mais ao Martin, que é o contraponto cômico da história. Uma pena, pois havia atores muito bons que poderiam ser mais explorados na mise em scène.
O filme apresenta um jogo metaliterário e um olhar voyeurístico que acaba se aproximando, inevitavelmente, do longa-metragem “Dans la Maison” (Dentro de Casa), brilhante obra cinematográfica de François Ozon.
